Cláudia Lopes
O fiel depositário do maquinário da antiga Viresa Indústria e Comércio de Confecções Ltda, Carlos Roberto de Souza Fernandes, reinvindica o empréstimo dos equipamentos aos 80 ex-funcionários da empresa. A Viresa teve falência decretada em abril passado. Há um mês, os demitidos fundaram a cooperativa Coopervest Indústria e Comércio de Confecções com intenção de conseguir o empréstimo das máquinas de costura na justiça. ‘‘Precisamos voltar a trabalhar’’, argumenta Fernandes, que era programador de computador.
Ele está preocupado com o possível roubo dos equipamentos já que, no último final de semana, o barracão foi arrombado. ‘‘Desta vez, os ladrões levaram só equipamentos eletrônicos. Mas eles podem voltar’’, acredita. Segundo Fernandes, a polícia prendeu um dos assaltantes, recuperando parte do material.
O juiz da 10ª Vara Cívil de Londrina, Mário Azzolini, que decretou a falência da empresa, disse ontem que a decisão de emprestar o maquinário à cooperativa depende da apresentação de um relatório com os números da empresa a ser feito pelo síndico que irá administrar a massa falida da Viresa. O juiz nomeou o síndico ontem.
O diretor-secretário geral do Sindicato dos Trabalhores nas Indústrias do Vestuário de Londrina e Região, José Ricardo Leite, disse que cerca de 300 ações trabalhistas estão tramitando na justiça contra a Viresa atualmente. ‘‘Há dois anos, a empresa demitia funcionários sem pagar as rescisões contratuais’’, disse. Segundo ele, a empresa chegou a ter 400 funcionários em 1997.
O sindicato também fez ontem as rescisões contratuais de 38 ex-funcionários da De-Fannys Ltda, confecção de lingerie fechada neste mês em Londrina. ‘‘A empresa fechou as portas sem pagar os salários de julho e as verbas rescisórias dos demitidos’’, contou Leite. A dívida trabalhista da De-Fannys é de cerca de R$ 20 mil, segundo o sindicalista. ‘‘Com as rescisões, os ex-funcionários poderão pelo menos sacar o fundo de garantia e retirar o seguro-desemprego’’.
Leite encaminhou os demitidos e as rescisões para a advogada do sindicato ontem. ‘‘Eles terão que acionar a empresa judicialmente’’, disse. Ele afirma que a direção da De-Fannys alegou ao sindicato que fechou as portas por causa do alto índice de inadimplência no setor. A Folha tentou contatar o proprietário da empresa, Reginaldo Seleti, ontem à tarde mas não conseguiu.

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