Funcionário da Volvo se acorrenta
O coordenador da Comissão de Fábrica da montadora sueca Volvo, Nelson Silva Souza, de 33 anos, protestou ontem contra a falta de negociação com a empresa. Acorrentado na frente da fábrica em Curitiba, segurando um cartaz com as reivindicações e anunciando uma greve de fome, Souza disse que os trabalhadores querem adiantamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), recebimento de bônus oferecidos pela empresa todos os anos e pagamento de horas extras para os mensalistas. Souza disse que só deixará de protestar quando houver acordo com a direção da Volvo.
O coordenador disse que a empresa prefere impor decisões em vez de conversar com os funcionários. Antes do protesto solitário, Souza reuniu os funcionários da linha de montagem, em assembléia, entre 7 e 8 horas da manhã. Nesse período, três caminhões deixaram de ser produzidos. Em seguida o movimento não conseguiu a adesão dos trabalhadores porque a empresa ameaçou com demissão para quem participasse do protesto, informou o assessor do sindicato dos Metalúrgicos do Paraná, Eduardo Pavão.
O diretor de Recursos Humanos da Volvo, Carlos Morassutti, considerou a acusação muito forte e disse que se a empresa não quisesse negociar com os trabalhadores não teria criado a Comissão de Fábrica. A Volvo não pagaria R$ 1.600,00 para o coordenador observar a empresa e levantar questões se não quisesse diálogo, disse. O protesto pode ser por interesse pessoal do coordenador - não sei se ele tem pretensões políticas - e porque nem tudo que ele acha que deve ser implantado foi aceito.
Souza afirmou que a Volvo quer pagar a PLR em dezembro, se a empresa atingir 70% de resultado. A proposta é pagar 50% do salário e mais R$ 200,00. Queremos receber a primeira parcela em agosto, já que Scania, Mercedez-Benz, Toyota, GM e Ford já deram adiantamento a seus funcionários, diz Souza. Segundo ele, os trabalhadores querem antecipação de R$ 300,00 no próximo mês, pagamento de 50% do salário em dezembro, caso a empresa atinja os 70% esperados, e mais 50% e R$ 300,00 em fevereiro, quando a empresa deve fazer seu balanço. Morassutti disse que a PLR será antecipada em dezembro e fechada em fevereiro ou março, como sempre ocorre.
A Comissão de Fábrica também quer o pagamento do bônus para o setor de produção e sugere que ele seja distribuído igualmente entre os funcionários. A empresa disse que o bônus pode ser pago de maio a novembro e que o setor de produção receberá em setembro. O bônus é um benefício que a empresa dá aos funcionários, de acordo com sua produtividade e qualidade, e não será feito de maneira igual, segundo Morassutti.
Souza também está pedindo o pagamento de horas extras para os mensalistas, que fazem em média 100 horas a mais. Morassutti disse que a questão das horas extras não chegou ao conhecimento da empresa.Mauro FrassonSem diálogoNelson Souza, acorrentado em frente à fábrica da Volvo em CuritibaAnna Camanducaia





