Atrair, reter e desenvolver novos talentos. Tarefa complexa para empresas - principalmente do setor industrial - num mercado de trabalho extremamente competitivo, onde os colaboradores cada vez menos criam vínculos de longos períodos com seus atuais empregos. Este foi o principal tema debatido ontem no auditório do Sesi, em Londrina, no primeiro encontro paranaense ''Diálogos para o Futuro'', realizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL-PR), uma plataforma de educação corporativa formatada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Cerca de 40 empresas de Londrina e região, através de seu pessoal de Recursos Humanos, participaram do debate, que já foi realizado em outros seis estados.
De acordo com o representante nacional do IEL, Ricardo Romero, com o aquecimento da economia brasileira é natural que as empresas busquem ''profissionais fortes''. Para ele, é preciso pensar em formar funcionários capacitados e, principalmente, retê-los por mais tempo na mesma empresa. Romero lembrou de um estudo norte-americano que explicita que os colaboradores da chamada ''Geração Y'' passam por 10 a 15 empregos em toda a sua vida, enquanto os mais antigos transitaram por, no máximo, cinco empregos. ''Se fala muito em apagão de mão de obra, que está faltando profissionais nesta ou aquela profissão. Mas vi pelos estudos que passamos que o principal problema é a retenção dos talentos'', comentou.
Para o superintendente do IEL-PR, José Antonio Fares, é preciso que as empresas tentem construir o elo empresa-colaborador mostrando a seus funcionários a importância deste vínculo, valorizando seu empregado de diferentes formas. ''Muitos chegam na empresa sem maturidade para ter este vínculo. Por outro lado, as empresas não conseguem realizar o trabalho, há uma dificuldade de articulação na gestão'', apontou.
Para mostrar alguns ''cases'' de sucesso sobre como lidar com o problema, quatro empresas da região de Londrina apontaram como realizam sua gestão de pessoal. Lais Augusto Moraes, gerente de RH da Vamol, de Arapongas, disse que para o chão de fábrica da indústria moveleira não há profissionais capacitados e se o critério de seleção for muito elevado ninguém é contratado. ''Temos um projeto de formação de mão de obra. Mas para segurá-los, não basta só salário. É preciso, inclusive, contratar outras pessoas da família'', explicou ela.
Já para profissionais com maior capacitação, muitos deles da ''Geração Y'', os representantes das empresas relataram que a exigência dos futuros funcionários é grande antes mesmo de entrar na empresa. ''Hoje quem faz a entrevista é o candidato. Eles querem ver a empresa como uma oportunidade de conhecer diferentes áreas, indo de um setor para o outro'', disse Laís.
Outra questão debatida foi a falta de líderes para determinados setores. ''Na busca por estas pessoas, percebemos então que um potencial líder pode ser o primeiro a ser mandado embora, já que ele é quem reivindica pelo seus colegas e, às vezes, dá trabalho para a empresa. É este profissional que precisa ser moldado'', salientou Ana Claudia Lima, gerente de recursos humanos da Caemmun, também de Arapongas.

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