Funcafé dará R$ 300 mi para colheita
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de março de 1998
Lu Aiko e Raquel Stenzel Agência Estado 
ArquivoEm boa horaCafé não foi o único beneficiado. Decisão do CMN veio em boa hora O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem a liberação de R$ 300 milhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o financiamento da colheita da safra de café. Num outro voto, permitiu empréstimos com recursos das exigibilidades bancárias para a aquisição antecipada da safra de trigo. Também decidiu permitir aos produtores que tiveram sua dívida securitizada quitar a segunda parcela do empréstimo, que vence em outubro, pagando com produtos.
Os empréstimos do Funcafé serão de até R$ 150 mil para cada produtor rural, limitados a R$ 600 por hectare. As parcelas serão corrigidas pela variação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), mais juros anuais de 3%.
O coordenador-geral de Produtos do Ministério da Fazenda, José Gerardo Fontelles, informou que o Funcafé terá um orçamento de R$ 1 bilhão para o período de 1998-99.
Nos próximos meses, serão liberados mais de R$ 300 milhões do Funcafé para o custeio e a comercialização. O fluxo de liberação de empréstimos do Fundo será decidido na próxima reunião do CMN.
Trigo - Ao permitir que recursos das exigibilidades bancárias sejam utilizados para financiar a compra antecipada de trigo, o CMN possibilitou às indústrias tomar empréstimos para comprar o produto antes da colheita, mediante aquisição de uma Cédula do Produto Rural (CPR). O trigo, porém, não poderá ser vendido abaixo do preço mínimo, que está fixado em R$ 157 a tonelada para o trigo superior.
Os empréstimos poderão ser contratados entre 1º de abril e 31 de outubro, para entrega até 31 de dezembro. No mesmo voto, foi prorrogado o prazo para a contratação de compras antecipadas de algodão produzido no Centro-Oeste. A data final era de 15 de abril, e passará a 31 de maio.
Dívidas - Finalmente, o CMN autorizou os produtores rurais beneficiados pela securitização de suas dívidas a pagar parcelas antecipadas em produto. A segunda prestação da securitização vencerá em outubro. Até agora, se quisesse fazer pagamento antecipado, o produtor só poderia fazê-lo em dinheiro. O voto aprovado ontem permitiu a quitação mediante entrega do produto.
63-Caipira O governo impôs ontem o limite mínimo de 50% para aplicação em financiamentos agropecuários dos recursos captados no exterior para repasse ao setor privado rural, ou seja, por intermédio das chamadas operações 63-Caipira. Desde o final do ano passado, com o aumento das taxas de juros, o capital que ingressava no País a partir da 63-Caipira estava sendo aplicado quase que integralmente em títulos do governo com correção cambial. Assim, não chegava ao setor rural. (Veja mais 1ª página do caderno).


