Fultrans abandona projeto de Antonina
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terça-feira, 02 de março de 1999
Carmem Murara 
A empresa Fultrans Terminais Marítimos - controlada pelo grupo holandês Wijsmiller - abandonou as operações no Porto de Antonina, rompendo um contrato assinado com o governo do Estado que previa operação exclusiva por oito anos, renováveis por mais oito. A empresa deixou Antonina sob alegação de que acumulou prejuízos e que não teria mais como investir no terminal. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) quer que a empresa pague 10% de multa e a dívida que tem com o Estado.
A Fultrans deve R$ 200 mil para a Appa, que são relativos ao arrendamento e às tarifas portuárias. A Appa está segura de que receberá o dinheiro, pois há uma caução no valor de R$ 118 mil mais variação da TR, que daria R$ 180 mil. A caução é garantida por um banco holandês.
A Fultrans tem ainda dívidas trabalhistas com cerca de 45 funcionários demitidos. Eles estão sem salários desde dezembro do ano passado, segundo informou o ex-diretor geral da empresa Carlos Schubert. Quando assumiu o porto, no final de 94, a Fultrans tinha 150 portuários.
O ex-diretor-geral da Fultrans confirmou ontem que os holandeses se retiraram de Antonina alegando prejuízos. Os majoritários não querem mais investir. Eles dizem que não tiveram o retorno esperado, afirmou Schubert, que engrossa a lista dos demitidos. Ele é responsável pela negociação de algumas pendências deixadas, já que todos os holandeses foram embora.
O diretor do Porto de Antonina, Edmond Fatuch, disse que o grupo da Holanda deixou Antonina sem fazer os investimentos previstos no contrato de licitação, assinado em 94 com a Appa. A Fultrans deveria construir uma esteira de rolamento e consertar os armazéns do porto. Fizeram apenas um grande funil, afirmou Fatuch. O diretor do porto avalia que a Fultrans não soube administrar o negócio, apenas retirando o faturamento obtido.
A Fultrans teve durante quatro anos o controle total da movimentação de fertilizantes que chegaram no Estado. Em 97, foram movimentadas 700 mil toneladas de produtos. No ano passado, atracaram 25 navios que descarregaram 574,7 mil toneladas de fertilizantes, informou o chefe de Operações do Porto de Antonina, Eduir Santos. A movimentação garantiu um faturamento de R$ 6 milhões, segundo o ex-diretor da Fultrans. Desde janeiro, nenhum navio atracou em Antonina, optando por Paranaguá.
A safra de fertilizantes começa a partir do final deste mês, o que obriga a Appa a encontrar uma solução emergencial para garantir a movimentação em Antonina. Edmond Fatuch tem negociado com vários operadores para que eles assumam por um determinado período a responsabilidade da movimentação. Nós teremos que abrir nova licitação pública, mas primeiro temos que garantir a safra, afirmou. O último navio operado pela Fultrans foi no início de janeiro. O Mister Michael, de bandeira grega, trouxe 31,3 mil toneladas de fertilizantes de São Petesburgo (Rússia).


