São Paulo- Está cada vez mais caro manter uma conta bancária no Brasil. Além da quantidade de tarifas e dos aumentos promovidos nos últimos anos, a disparidade entre as taxas é grande. O que exige muito cuidado por parte dos consumidores no momento de escolher o plano adequado para suas necessidades. Segundo levantamento feito pela Pro Teste Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, com 14 instituições financeiras, a diferença entre os pacotes bancários pode chegar a 567%.
O economista da entidade, Leonardo Diz, comenta que muitas vezes os consumidores não usam todos os serviços embutidos nos pacotes. ''O problema é que as pessoas não têm acesso à cesta de tarifas. Quem escolhe é o gerente'', critica. Leonardo explica que os serviços usualmente disponíveis nas cestas são extrato, saque, cheques e transferências. O que varia entre as instituições (e entre as cestas) é a quantidade de serviço de cada uma. Se usar mais do que o previsto, você paga pelo que excedeu.
A entidade analisou 56 cestas de serviços e constatou que, na maioria dos bancos, é mais vantajoso contratar uma cesta de serviços que pagar pelas tarifas avulsas.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, recomenda que os consumidores identifiquem os serviços bancários mais usados e faça uma pesquisa entre as instituições. ''O objetivo é negociar as taxas cobradas, mas se isso não for possível, vale a pena trocar de instituição'', diz ele, em estudo sobre a evolução das tarifas bancárias entre 2001 e 2006.
De acordo com o estudo, de cada 10 tarifas cobradas pelos bancos, 9 tiveram aumento muito acima da inflação nos últimos cinco anos. A taxa que apresentou a maior elevação foi a de depósito em outra agência, cujo preço saltou 2.614%, de R$ 0,07 para R$ 1,90. Há casos extremos, no entanto, em que o aumento atingiu 49.000% (de R$ 0,30 para R$ 150). Nesse período, segundo o estudo, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 50,6%. ''O resultado do trabalho explica, em parte, os lucros recordes dos bancos nos últimos anos'', analisa Oliveira.
Segundo ele, os ganhos com prestação de serviço já representam 14% do total de receitas do sistema financeiro ante 9% em 2002. ''Enquanto as despesas com pessoal cresceram 48,59% entre 2000 e 2005, as receitas de prestação de serviços avançaram 122,04%'', diz, explicando que o crescimento é decorrente da ampliação da base de clientes e da cobrança de serviços antes sem tarifas.
O estudo, coordenado por Oliveira, considerou apenas as tarifas cobradas de pessoa física das 13 principais instituições financeiras do País. O material foi elaborado com dados do Banco Central, entre o período de 2001 e 2006. O estudo mostra também que, além da alta dos preços, a quantidade de tarifas aumentou. Na média do sistema financeiro, saiu de 39 para 41 tarifas cobradas.

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