‘Fui salvo pelo Isordil’
Antes da entrevista à imprensa ontem, o presidente da Fiep, José Carlos Gomes de Carvalho, relatou o drama vivido na Espanha dia 17 de abril, quando teve um infarto. ‘‘Aos 63 anos, nunca tinha ficado doente. De repente tive um infarto, uma úlcera estourada e uma parada cardíaca, tudo junto’’. Carvalho atribui sua sobrevivência ao hábito, que cultiva há 20 anos, de carregar um vidrinho do medicamento vasodilatador Isordil na maleta.
O presidente da Fiep estava em Madri com a comitiva brasileira que acompanhava a visita do presidente Fernando Henrique à Espanha. Dali, ele iria até a Feira de Hannover, na Alemanha. Na manhã do dia 17, Carvalho sentiu uma espécie de azia enquanto tomava banho. Desconfiado de que fosse o sintoma do início de um infarto, tomou imediatamente um comprimido de Isordil. ‘‘Trinta segundo depois, não estava sentindo mais nada, o que reforçou minha desconfiança de que havia algo errado com meu coração’’, disse.
Carvalho foi até o hospital, onde comunicou ao médico sua suspeita. O primeiro eletroencelfalograma não registrou qualquer alteração. Informado por seu médico que na primeira hora do infarto isto é comum, Carvalho esperou 60 minutos e repetiu o exame. Outra vez, nada foi constatado.
O médico diagnosticou problema gástrico, receitou um remédio e Carvalho pegou um táxi para ir a Toledo. Quando estava chegando à cidade, voltou a sentir a ‘azia’. ‘‘O efeito do Isordil tinha passado e o problema voltou. Retornamos para Madri na hora’’, lembra.
‘‘Quando chegamos ao hospital, estava começando a fazer angina (um dos primeiros sinais do infarto, com o princípio do bloqueio da passagem do sangue para o coração)’’, conta. Simultaneamente, estourou uma úlcera estomacal. Na madruga seguinte, Carvalho teve uma parada cardíaca. Como já estava na UTI do hospital, recebeu atendimento que o salvou.

mockup