FT ressalta peso do Brasil no mercado global
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terça-feira, 14 de setembro de 2004
João Caminoto<br> Agência Estado 
Londres - A edição online do jornal Financial Times publicou extensa reportagem sobre a crescente peso do Brasil no mercado global, destacando o aumento das exportações do País e a política externa adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Tradicionalmente uma das economias mais isoladas do mundo, o maior país da América Latina parece finalmente no caminho de impor seu peso no mercado global'', disse o diário britânico, informando que as exportações, que em 1998 representavam apenas 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB), hoje saltaram para 17% do PIB.
''Numerosos setores - do aço e automóveis até a agricultura - têm registrado um massivo investimento de capital'', diz o texto. O jornal afirma que Lula, que estabilizou a economia desde a sua vitória eleitoral em outubro de 2002, ''merece algum crédito para a bonança nas exportações'',. mas seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, ''colocou boa parte da estrutura econômica e política em funcionamento''.
Segundo o FT, o dinamismo econômico tem sido acompanhado por uma política externa ''mais ativa e assertiva''. O jornal afirma que, sob a presidência de Lula, o Brasil está buscando planos de integração regional e começou a assumir um papel de liderança entre os países mais pobres.
Durante a Assembléia Geral das Nações Unidas, na próxima semana, em Nova York, Lula deverá reiterar sua sugestão de criação de um fundo global de combate à fome e, segundo o FT, mais de 50 chefes de Estado deverão apoiá-lo. Além disso, de olho num assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil está liderando forças de paz no Haiti e já perdoou mais de US$ 315 milhões em dívidas de países africanos.
''Existe hoje uma auto-conscientização que não havia antes''. disse ao FT o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. ''O Brasil estava numa posição frágil e as condições não eram favoráveis para o país exercer um papel importante. Agora nós temos um selo de qualidade: uma política econômica crível e política estável.'' O FT observa que um maior aumento das exportações poderia enfrentar obstáculos, como um desaquecimento da economia mundial, principalmente na China.
Além disso, o País precisa continuar abrindo mercados e, apesar de progressos recentes, o resultado das negociações comerciais continuam incertos. ''Em particular, o país obteve pouco progresso em ganhar mais acesso aos Estados Unidos, o maior mercado mundial'', disse o jornal.
Além disso, segundo o FT, as fábricas brasileiras estão, em média, operando com 85% da capacidade de produção. Com a recuperação econômica, a maior demanda interna poderia sugar a produção dos mercados de exportação. Muitas empresas têm anunciado planos de expansão, mas ainda estão cautelosas com os investimentos e as condições regulatórias. Além disso, o financiamento das exportações continua difícil e a infra-estrutura, principalmente no setor de transportes, é inadequada.''
O FT menciona ainda várias empresas brasileiras que estão obtendo sucesso no exterior.


