Frutas e laticínios impulsionam alta do IPC-S
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terça-feira, 08 de julho de 2008
Alessandra Saraiva e Flavio Leonel<br>Agência Estado 
Rio e São Paulo - A alta no preço dos alimentos, especialmente de frutas e laticínios, continua pressionando o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que até 7 de julho subiu 0,79%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No índice anterior, de até 30 de junho, a fundação apurou alta de 0,77%. A taxa anunciada ontem ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro entrevistados pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 0,72% e 0,85%.
Segundo a FGV, a principal contribuição para a aceleração da taxa do indicador partiu de elevações de preços mais intensas em quatro das sete classes de despesa usadas para cálculo do índice. Mais uma vez, o destaque absoluto ficou por conta da inflação mais intensa no grupo de produtos alimentícios (de 1,85% para 1,93%), no período. O grupo alimentação continua respondendo de forma majoritária pelo resultado do índice. Nos últimos três meses, tem havido uma inversão muito grande das pressões dentro do grupo: em maio, houve uma contribuição maior de hortaliças e legumes, além do arroz; em junho, nós tivemos o feijão e a carne; e, agora, nós temos frutas e laticínios, afirmou o economista da FGV, André Braz.
De acordo com a FGV, esse setor contou com deflações mais fracas e altas mais intensas nos preços de frutas (-4,08% para -1,42%), laticínios (0,66% para 1,01%) e pescados frescos (1,20% para 1,64%). A fundação informou que o avanço da taxa do grupo não foi maior, em função dos decréscimos registrados pelos itens: Hortaliças e Legumes (0,83% para -0,89%), Panificados e Biscoitos (1,61% para 0,95%), Arroz e Feijão (11,18% para 10,64%) e Carnes Bovinas (8,05% para 7,94%).
Além de produtos alimentícios, os outros grupos que apresentaram aceleração de preços, no mesmo período, foram os de saúde e cuidados pessoais (de 0,58% para 0,59%); despesas diversas (de 0,36% para 0,40%) e transportes (de 0,05% para 0,11%).
Já os grupos restantes apresentaram desaceleração de preços. É o caso de Habitação (de 0,33% para 0,30%); vestuário (de 0,56% para 0,40%); e educação, leitura e recreação (de 0,37% para 0,30%).
Braz disse que o preço dos alimentos continuarão respondendo pela maior parte da inflação medida pelo IPC-S em julho. Segundo Braz, a boa notícia é que há a possibilidade de alguns elementos, como o arroz, apresentarem altas bem menores que as observadas nos últimos dois meses, o que poderia aliviar o impacto dos preços altos no bolso do consumidor.
Para o economista, o rodízio de vilões da inflação, que vem sendo observado nos indicadores de preços desde o final do primeiro semestre do ano passado, deve voltar a acontecer neste mês. Desde aquele período, a inflação já contou com diversos impactos, vindos, por exemplo, do leite, do feijão, da carne, dos preços de alimentos in natura e, mais recentemente, do arroz.
Para julho, ele disse que os preços de alguns alimentos que vêm sendo observados no atacado, como a soja e derivados deste item, mostram que há grande possibilidade de repasse para o varejo.


