Frota verde
- A Associação dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo inicia esta semana um projeto piloto de promoção dos produtos derivados da cana, inicialmente em parte da mídia paulista. O ojetivo é uma campanha nacional, para reabilitar os produtos e melhorar a imagem do setor. Os idealizadores querem que as indústrias sejam promovidas no mínimo de usinas para destilarias, e, e com isso descaracterizar a imagem de usineiros, coisa do Nordeste. Mas não é só a questão institucional. Há algo muito mais importante que é a economia do setor. A promoção visa mesmo os produtos sucroalcooleiros. É a reação do setor diante de outra campanha, sutil mas persistente, feita pela mídia, contra os derivados da cana. A campanha pelos derivados da cana leva o nome de Frota Verde.
- A campanha também quer atingir o governo. Segundo o presidente Associação dos Plantadores de Cana, Paulo Brandão, um dos articuladores do movimento, o primeiro produto prejudicado foi o álcool hidratado, utilizado nos automóveis. Em 1989 - lembra -, 95% dos carros eram movidos a álcool, e apenas 5% à gasolina. As várias críticas feitas contra o combustível derivado da cana, em termos de rendimento e deterioração na peças dos automóveis com o uso, provocaram queda drástica na produção de veículos desse tipo. Atualmente, o percentual de carros a álcool que sai das montadoras não chega a 1%.
- Mas veio o desestímulo (dizem que foi arquitetado pelo corporativismo da Petrobrás). As usinas foram reduzindo gradativamente a produção de álcool, substituindo-o pelo açúcar. Agora o setor sofre com toda essa campanha contra o açúcar, qualificado repetidas vezes como prejudicial à saúde, segundo Paulo Brandão. A Associação dos Plantadores de Cana disse ter constatado um avanço da campanha contrária aos derivados da cana. Na conservadora Índia - compara Brandão - onde a produção de cana é de apenas 10% do total brasileiro, o açúcar é bem aceito e muito bem defendido. Por todos os cantos, a gente vê a frase I love sugar. Aqui, o próprio setor não defende o seu peixe.
- A campanha da Associcana deverá ter como suporte a questão ecológica. Será destacado, nas chamadas e anúncios, que os carros movidos a álcool não poluem o ar, ao contrário dos veículos à gasolina, assim como o açúcar não engorda -- como comprovam pesquisas recentes, derrubando antigas teorias. Outra questão a ser levantada: Os carros à gasolina têm 23% de álcool embutidos no combustível. Nós vamos lutar para que esse percentual seja aumentado, a fim de que diminua a descarga de poluentes no ar, afirma Brandão, em entrevista ao repórter João Ranazzi, da Agência Estado, ontem.
- A partir da análise de que a problemática em relação ao álcool e açúcar é nacional, a Associação pretende estender a campanha para todo o país. A dirtoria está mantendo contatos nesse sentido com outras entidades de plantadores, com resultados favoráveis.





