O avanço das frotas empresariais, o crescimento no número de profissionais que trabalham com entregas e, principalmente, o aumento na quantidade de pessoas que buscam alternativas ao transporte público como meio de locomoção impulsionam as vendas de motocicletas e motonetas no país. Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostram que, entre janeiro e agosto de 2025, os emplacamentos desses veículos somaram 1.407.911 em todo o território nacional.

Enquanto os emplacamentos de automóveis cresceram 2,91% de janeiro a agosto deste ano sobre o mesmo período de 2024, o aumento da frota dos veículos de duas rodas saltou 12,31%.

O segmento registrou o melhor agosto da série histórica da Fenabrave, mesmo com uma retração de 3,99% ante julho. Dos 431.079 emplacamentos computados, 185.454 foram motos.

A Fenabrave avalia que a queda sobre julho pode ser atribuída aos dois dias úteis a menos em agosto. “No acumulado, estamos com um crescimento menor do que o registrado até julho, em função da queda na produção de motos, provocada pela paralisação das montadoras que fazem manutenção em seu parque fabril. Mas a motocicleta segue como solução de mobilidade e trabalho no Brasil, devendo fechar 2025 com recorde de vendas”, afirmou o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, em matéria divulgada no site da entidade.

O mercado segue aquecido e a federação projeta encerrar este ano com alta de 10% nos emplacamentos de motocicletas e motonetas, chegando a 2.063.493 veículos.

Arcelio Junior também destacou o crescimento das vendas de motos elétricas. Com 6.246 unidades emplacadas em 2025, a alta neste ano até agosto foi de 32,3% sobre 2024. “Há reação com novas marcas e serviços, embora ainda existam entraves de autonomia e preço para o público profissional”, ponderou.

PARANÁ

O Paraná tem uma frota total de 8.870.541 veículos, segundo o Detran (Departamento de Trânsito) e, desse total, quase 20% são motocicletas e motonetas, que somam 1.746.344. Londrina tem a segunda maior frota do Estado. Dos 435.370 veículos em circulação, 73.267 são motocicletas e 21.127, motonetas.

A maior cidade do interior paranaense só fica atrás de Curitiba. Pela capital circulam 1.710.911 veículos, sendo 242.283 motocicletas e 29.027 motonetas.

As revendedoras confirmam a intensa procura. Na Blokton Motocar, em Londrina, a alta nas vendas é significativa. A empresa disponibiliza o serviço de despachante aos clientes e os emplacamentos só crescem. O analista administrativo Paulo Eduardo Alves não arrisca um percentual, mas mede o crescimento pelo aumento no volume de trabalho. “Neste ano deu uma boa melhorada. Houve um crescimento bom tanto dos consórcios, que saem conforme os lances, quanto nas motocicletas zero, com financiamento à vista”, comentou.

A maior procura é pelos modelos mais simples. As de 160 cilindradas são as campeãs de vendas, assim como as motonetas. “Mais da metade dos clientes quer moto para locomoção, mas temos também uma boa parcela de pessoas que utilizam a moto para trabalho e para compor a frota da empresa”, disse Alves.

Uma motocicleta zero quilômetro do modelo mais requisitado custa cerca de R$ 23 mil. Entre as motonetas, a mais em conta sai por cerca de R$ 20 mil.

O gerente da Jairo Motos, Henrique Augusto Vieira, observou que o grande movimento de clientes na loja poderia ser convertido em um maior volume de vendas se as taxas de juros dos financiamentos fossem mais baixas e se os consumidores não tivessem tantas restrições na hora de fazer o cadastro. “A pessoa quer comprar, quer financiar, mas não tem nome. Fazemos muitas simulações, mas muita gente está com restrição de crédito porque tem dívidas e para quem está negativado, o banco não libera o financiamento. Os bancos aumentaram as exigências e aumentaram também as taxas.”

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Além de motos novas, a revendedora comercializa também veículos usados. Uma moto de 160 cilindradas fabricada em 2008 custa entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. Os modelos fabricados entre 2020 e 2021 ficam na faixa de R$ 15 mil e as zero quilômetro, em torno de R$ 20 mil. “Se financiar a moto 100%, que é o que a maioria procura, vai pagar 48 parcelas de quase R$ 1 mil a parcela por causa da taxa do banco. É quase o valor de um salário mínimo”, comparou Vieira, que notou queda nas vendas nos últimos anos, contrariando as estatísticas da Fenabrave e do Detran-PR. “De uns três anos para cá, caiu 50%. Se eu vendia 50 motos em um mês, hoje, para vender 30, é um sufoco.”

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