Cascavel - Os mais de 130 quilômetros de fronteira seca entre Brasil e Argentina, na região Sudoeste do Paraná, dificultam o trabalho de fiscalização realizado por órgãos estaduais e federais, dentro da operação ‘‘Segurança Nacional’’. A operação vem sendo desenvolvida há mais de 15 dias, depois que ficou constatado que os municípios da região estão servindo de porta de entrada para animais vivos vindos do país vizinho.
Como nessa época do ano, devido a estiagem, o rio Santo Antônio fica com sua margem baixa, os contrabandistas aproveitam o período noturno para atravessarem os bovinos. Durante o dia, o contrabando fica mais difícil porque equipes da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), com apoio da Polícia Militar, realizam um trabalho de vigilância nas propriedades rurais.
Nas aduanas entre Brasil e Argentina, para controlar a entrada de veículos e pessoas provenientes do país vizinho, equipes da Seab trabalham durante 24 horas por dia. Ao passarem para o lado brasileiro, os veículos são revistados, além de passarem pelos Rodolúvios (tanques com solução a base de iodo). Os motoristas também descem dos carros para desinfectar os calçados em pedilúvios (tapetes embebidos em líquido antiséptico).
O chefe regional da Seab em Francisco Beltrão, Valmor Vanderlinde, garante que apesar de todas dificuldades encontradas na fiscalização, o contrabando de animais vivos da Argentina na região Sudoeste está sob controle. Ele acrescenta que ao contrário do ano passado, neste ano não será necessária a presença das Forças Armadas na região.
Vanderlinde ressalta que durante a operação já foram sacrificados nove animais que estavam passando irregularmente na fronteira. Após serem abatidos com tiros de revólver, os animais foram incinerados e os restos enterrados em aterros sanitários. Ele informa que outros 260 Kg de carne com osso foram apreendidos em açougues, por não terem sua procedência comprovada.
O chefe da Seab observa que a Argentina só pode vender animais ao Brasil mediante autorização especial do Ministério da Agricultura, que inclui um rigoroso esquema de vigilância sanitária e quarentena.
Dentre as sete cidades onde acontece a operação ‘‘Segurança Nacional’’, a situação mais crítica está em Capanema (112 Km a oeste de Francisco Beltrão). As várias travessias irregulares existentes nas propriedades rurais do município facilitam o contrabando. O trabalho atual da Seab é convencer os produtores da importância de proibirem a passagem dos animais por suas terras.

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