Após o Brasil, Argentina e Paraguai adotarem modelos econômicos parecidos, priorizando as privatizações e a entrada de capital estrangeiro em seus mercados, as três cidades da triplíce fronteira – Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú – têm registrado reflexos diretos das mudanças cambiais e econômicas, além de sofrerem abalos simultâneos provocados pelas crises vizinhas.
Atualmente, é a vez dos problemas argentinos ditarem o ritmo da região. Nesta semana, o guarani sofreu desvalorização de 7,5% em relação ao dólar norte-americano. O governo já comunicou que não tem condições de investir suas reservas internacionais para segurar a cotação da moeda oficial do país (no começo do mês um dólar era equivalente a 4.020 guaranis; anteontem, a cotação era de um dólar para 4.345 guaranis). A variação já surtiu efeito no mercado. A Câmara Paraguaia de Supermercados, por exemplo, anunciou reajuste de 15% nos produtos alimentícios.
Pressão dos empresários de Puerto Iguazú, por sua vez, levou o governo a criar medidas protecionistas semelhantes às adotadas pelo Paraguai. Há três semanas, o país determinou o fim das travessia de produtos comprados no Brasil aos sábados (aos domingos e feriados a travessia já era proibida). A câmara de comércio local também estuda a possibilidade reduzir a cota de compras de 100 pesos para 40 pesos, visando incentivar o consumo interno.
Já Foz do Iguaçu, embora tenha uma economia mais sólida, teme queda no fluxo de turistas argentinos, que estariam sem dinheiro para viajar. A cidade brasileira já amarga prejuízos ocasionados pela redução no movimento de sacoleiros rumo a Ciudad del Este, como o aumento no número de desempregados e o fechamento de dezenas de hotéis de médio porte e hospedarias (A.P.).

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