Fronteira quer volta da cota de US$ 250
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segunda-feira, 21 de julho de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Arquivo FolhaCorte drásticoMovimento financeiro de Ciudad del Este despencou desde 1995Autoridades da fronteira entre Brasil e Paraguai iniciaram uma campanha que pede a volta da cota de US$ 250,00 nas compras feitas por brasileiros no exterior. O prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), e o governador do Departamento de Alto Paraná - estado paraguaio na fronteira com o Paraná, cuja capital é Ciudad del Este -, Carlos Barreto Sarubbi (Partido Colorado), se encontram hoje para definir as estratégias da campanha.
Barreto Sarubbi já anunciou que vai pedir ao presidente paraguaio, Juan Carlos Wasmosy (também do Partido Colorado), para interceder junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso pela causa.
Na semana passada, o prefeito Daijó apresentou pedido de restabelecimento da antiga cota ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, em Brasília. A assessoria do Ministério não soube informar à Folha, ontem, por telefone, se o pedido de Daijó já havia chegado ao ministro Francisco Dornelles.
Uma caravana com 16 mil veículos utilizados no transporte de turistas em Ciudad del Este deverá se deslocar na quinta-feira até Assunção, capital paraguaia. O protesto é organizado por representantes do setor e tem o objetivo de pressionar o governo paraguaio para que ele cobre do brasileiro a retomada da antiga cota.
A decisão de reduzir a cota para compras no exterior sem o pagamento do imposto de importação - de US$ 250,00 para US$ 150,00 - foi tomada pelo governo brasileiro em novembro de 1995. A medida afetou de maneira drástica o comércio de Ciudad del Este, que sobrevive do turismo de compras.
Segundo levantamento do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), entidade que reúne os principais empresários de Ciudad del Este, desde a redução da cota, o movimento financeiro da cidade caiu 60% - de US$ 6 bilhões anuais, em 95, para menos de US$ 3 bilhões, de acordo com as previsões para este ano.
O número de turistas que visitam a cidade paraguaia caiu 38% entre 95 e 96: passou de 2,3 milhões para 1,4 milhão. O reflexo no setor hoteleiro de Foz do Iguaçu também foi imediato. Os 211 hotéis da cidade fecharam o primeiro semestre deste ano com uma ocupação média de cerca de 30% de seus 26,6 mil leitos. Segundo Carlos Tavares, presidente do sindicato do setor, o mínimo necessário seria uma taxa de ocupação de, no mínimo, 45%.
A proposta apresentada por Daijó ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo tem o apoio da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi), do Sindicato dos Hotéis, da Associação dos Agentes de Viagem (ABAV), e da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH).
Na opinião do prefeito, hoje os brasileiros viajam a Miami (Estados Unidos) para fazer compras. Seria muito melhor se eles gastassem seu dinheiro aqui, no Mercosul, prega Daijó.
Para o diretor regional da ABIH, Júlio César Gomes de Oliveira, a medida poderia atrair com mais intensidade quem ele chama de verdadeiro turista: a pessoa que viaja com a família, permanece pelo menos um dia em Foz do Iguaçu e aproveita parte do tempo para fazer compras em Ciudad del Este.
É essa pessoa que nos interessa, porque traz retorno para a cidade, afirma Oliveira. O muambeiro sempre comprou além da cota e dificulmente se hospeda em hotéis.


