Fronteira aprova o ‘cerco’
Ney de SouzaNOVA IMAGEMPonte da Amizade teve pouco movimento ontem. Ciudad del Este rejeita rótulo de ‘paraíso da pirataria’Na opinião de Charif Hammoud, presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap) – entidade que reúne os principais comerciantes de Ciudad del Este –, a tendência é ‘‘melhorar a imagem e a qualidade de vida’’ na fronteira. ‘‘Não aceitamos mais o rótulo de paraíso da pirataria e do crime’’.
Segundo Hammoud, o cerco ao contrabando beneficiará os comerciantes que vendem produtos genuínos para os ‘‘verdadeiros turistas’’. O reflexo negativo, afirma, será sentido pelos comerciantes que vendem produtos falsificados, a preços mais baixos, abastecendo os sacoleiros.
O movimento comercial em Ciudad del Este cai a cada ano. No biênio 93-94, auge do ciclo dos sacoleiros, o faturamento anual das 7 mil lojas da cidade paraguaia (hoje são 2,5 mil) atingia US$ 18 milhões. No ano passado, Ciudad del Este movimentou cerca de US$ 2 bilhões – uma queda de 70% em relação ao ano anterior.
Para o vendedor ambulante Walter Negrão, criador da hoje inativa Associação Brasileira de Sacoleiros, as medidas para combater o contrabando só vão beneficiar a categoria. ‘‘Vão tirar o sacoleiro da informalidade, acabar com a evasão de divisas e a corrupção nas estradas’’.
Desde 1997, Negrão luta para que seja criada uma cooperativa nacional de sacoleiros, que faria compras com impostos reduzidos, legalizaria as mercadorias e as revenderia em todo o País. Ele disse acreditar que, agora, a cooperativa possa ‘‘deslanchar’’. Estimativa feita em 1995 pela Receita Federal apontou que 13 milhões de pessoas viveriam do comércio informal no Brasil. (Valmir Denardin)

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