Frio triplica a venda de lã em Londrina
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Comerciantes de lãs e linhas comemoram o frio contínuo e a febre dos cachecóis que assolou a moda de outono-inverno deste ano. Graças aos dois fenômenos, as vendas do setor triplicaram desde que as temperaturas começaram a cair. Nas lojas de Londrina falta lã para atender a demanda dos clientes. Empresários ouvidos pela Folha garantem que é o maior movimento dos últimos dez anos.
''A mercadoria chega e acaba no mesmo dia'', contou Sérgio Saruhashi, gerente de uma loja de linhas no Centro da cidade. Segundo ele, os pedidos são tão intensos que as indústrias do ramo não conseguem atender a todas as encomendas. ''Temos pedidos feitos no final de abril que ainda não chegaram'', disse Saruhashi, que suspendeu as vendas que a empresa fazia no atacado, para outros revendedores, por falta de mercadoria. ''Estamos tentando atender pelo menos o varejo''.
Proprietária de uma loja do setor há dez anos, Leila Boso Dias garante que nunca viu movimento igual ao deste ano. ''Estou recebendo novas mercadorias todos os dias. Os clientes fazem fila à espera dos caminhões. Chega a ter briga'', informou. O fluxo de entrega não tem sido suficiente para abastecer as prateleiras, que ficam cada vez mais vazias.
A maioria dos clientes procura a lã para tricotar cachecóis. ''Essa moda está resgatando o tricô. Como é fácil e rápido de fazer, tem muita adolescente se arriscando a tricotar'', contou. A coqueluche da estação ajuda, inclusive, a desovar estoques. ''As cores da moda estão em falta, mas as clientes levam o que tem.''
Ontem, apesar da chuva, a dona de casa Cleuza Mya, 61, revirava as gôndolas de uma das lojas a procura de matéria-prima para tricotar um ponche para a neta. ''Esse ano, já fiz vários cachecóis para minhas filhas'', contou ela, que só produz as peças para a família. ''No ano passado nem peguei nas agulhas. Não fez frio'', lembrou.
A técnica de enfermagem Isabel Cristina da Silva, 33, também foi estimulada pelas baixas temperaturas a resgatar o tricô aprendido com a avó. ''Fiz um cachecol para minha filha e vou fazer outro para mim. Uso moto e preciso me agasalhar'', disse.
Para as tricoteiras mais experientes, o frio e a moda garantem renda extra no outono e no inverno. Leuzina Silva Libório, 56, faz tricô por encomenda e tem tido dificuldade para encontrar lã nas cores pedidas pelas clientes. ''Está complicado encontrar os tons mais fortes'', comentou. Os pedidos de cachecóis e xales aumentaram mais de 50%. ''Passo o tempo todo tricotando. É uma maneira de ganhar um dinheiro extra com um hobby'', disse.


