Albari RosaVendas quentesVitrines decoradas para o inverno: às vésperas do dia dos Namorados, comerciantes estão com estoques altos e prontos para venderSomente nas duas últimas semanas é que o lojista curitibano pôde respirar aliviado e comemorar o início da desova dos estoques de inverno. As vendas, que normalmente começam na metade do mês de março, estavam paradas por causa da temperatura elevada que prolongou o verão. Os donos das lojas dizem que todo ano é a mesma situação: o consumidor só decide comprar agasalhos quando o frio chega.
‘‘Quando o inverno é fraco, as lojas vendem menos’’, diz o vendedor César Carneiro, da loja Sheffield. Há cerca de 10 dias, a loja dobrou o volume de vendas. Os vendedores garantem que a temperatura baixa é a responsável pelo maior movimento de clientes. No ano passado, as vendas começaram mais cedo, porque o frio chegou antes.
A previsão do comércio varejista em Curitiba para as vendas de roupas de inverno este ano é de volume de vendas e preços estáveis. Os lojistas garantem que as roupas que estão nas vitrines mantiveram os mesmos preços do ano passado e algumas até estão mais baratas. A presidente da Câmara de Vestuário da Associação Comercial, Eliane Daitchmam, arrisca dizer que houve uma queda média de 10% nos preços.
A estabilidade tanto em vendas quanto em preço está relacionada com a procura dos produtos e com o fornecimento da mercadoria. A avaliação dos lojistas é que os fornecedores enxugaram as despesas nos últimos dois anos e agora estão conseguindo vender os produtos para os lojistas com os mesmos preços do ano passado. O fortalecimento da presença dos importados no setor de vestuário também contribuiu para segurar uma explosão nos preços.
Mas apesar de os preços estarem praticamente iguais ao ano passado, eles não estão baixos. Preço estável não significa produtos acessíveis ao consumidor. Algumas lojas especializadas em roupa masculina chegam a pedir até R$ 500 por uma jaqueta de couro (quatro salários mínimos) ou R$ 250 por um sobretudo de lã. Com o preço de uma jaqueta de couro e mais R$ 100 daria para comprar uma máquina de lavar roupa ou duas televisões de 20 polegadas. E com o dinheiro do sobretudo daria para comprar cinco aquecedores.
Uma jaqueta de lã pode ser encontrada no comércio por preços que variam de R$ 100 até R$ 250. Uma calça de lã masculina sai por R$ 80 ou até R$ 150. Uma camisa de flanela custa cerca de R$ 30.
O subgerente da loja Sheffild, Juliano Furlan, diz que a importação de roupas dos países que compõem o Mercosul colaborou para reduzir o preço dos produtos. ‘‘O Mercosul deu preço melhor ao mercado interno. A indústria brasileira ainda não conseguiu se adaptar para competir’’, afirmou Furlan.
Por causa do preço e qualidade, a Sheffild pelo segundo ano consecutivo optou por trabalhar basicamente com produtos importados. Os produtos de lã são trazidos da Argentina. A indústria argentina fabrica as peças e no Brasil apenas é colocada a etiqueta ‘‘made in Brazil’’, para identificar que o produto é nacional, apesar de o tecido ser importado.
Os tecidos para roupas de inverno também vêm do exterior. A loja O Mundo das Casemiras compra lã de diversos países da Europa. Mas a importação não é para pressionar os preços para baixo. Pelo contrário. As lãs importadas custam quase quatro vezes mais que a nacional. O metro da lã nacional mais barato custa R$ 24,90. O metro da lã inglesa custa R$ 95,00. ‘‘Importamos tecidos da Itália, Inglaterra e Japão, porque apesar de serem mais caros, os produtos têm melhor qualidade’’, afirmou o gerente da loja Antonio Maganhotte.
Mas é sempre bom lembrar o consumidor: comprar roupas pesadas quando o inverno chega não é bom negócio. Se puder esperar alguns meses, conseguirá comprar os mesmos produtos pela metade do preço. As liquidações acontecem normalmente no fim de julho e em agosto. Muitas lojas chegam a reduzir os preços pela metade.

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