Frio reduz produção e encarece legumes
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O consumidor já começa a sentir no bolso os efeitos da queda de temperatura nas hortas de legumes e verduras. O tomate vendido no Ceasa de Londrina, por exemplo, acumulou alta de 200% nos últimos 30 dias. A caixa, que era comercializada a R$ 6,00 no dia 19 de abril, custava ontem R$ 18,00. No varejo, de acordo com pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o preço médio do quilo do produto ficou em R$ 1,99, no Estado, na semana passada. Em abril, o preço médio foi de R$ 1,14 por quilo.
Outro produto com alta signficativa no atacado foi a vagem. A leguminosa aumentou 75% nos útimos 30 dias e, ontem, era comercializada a R$ 28,00 por caixa. O quiabo subiu 66% e a abobrinha, 50%. Chuchu (40%) e brocólis (33%) também custam mais caro nos boxes de comercialização do Ceasa.
O presidente da Associação Norte Paranaense de Horticultores (Apronor), João Neto do Prado Souza, explicou que a temperatura mais amena diminui a produtividade de algumas lavouras porque reduz a velocidade da maturação. ''Um produtor que obtém 150 caixas de tomate a cada dois dias, no verão, passa a produzir 50 caixas nos períodos mais frios'', explicou.
Outro fator é que muitos horticultores deixam de plantar hortaliças nessa época do ano por medo da geada. Ele estima que a área de hortas diminui 50%, na região de Londrina, nos meses de outono e inverno. Com a redução da oferta, os preços sobem. ''Se o frio continuar nos próximos dias, pode haver novos aumentos'', afirmou.
Para sobreviver às valorizações sem comprometer o orçamento, consumidores tentam adaptar o cardápio aos produtos de época. A aposentada Benedita de Oliveira Borges, 74, sempre substitui os alimentos mais caros pelas opções mais acessíveis quando faz compras. Ontem, em um supermercado de Londrina, ela trocou o tomate extra por uma variedade rasteira que custava R$ 1,00 a menos. ''Tenho que fazer a aposentadoria render'', disse.
A representante de vendas Naiara Santiago, 24, também utiliza a estratégia da troca para não aumentar a conta. Além disso, compara preços em diferentes empresas para aproveitar as ofertas. ''Sempre faço compras com uma calculadora na bolsa'', disse ela, que deixou de levar pepino para casa por considerar o preço absurdo. No estabelecimento, o quilo do legume era vendido a R$ 1,80.


