São Paulo - A chegada de uma frente fria às vésperas do Dia das Mães mudou o panorama dos gastos com presentes, segundo análise da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Itens de menor valor, como roupas e calçados, pagos com cheque, passaram a predominar, no lugar das compras de valor mais alto, pagas no crediário, como móveis e eletrodomésticos.
A expectativa era que as compras no crediário continuassem na liderança, como vinha ocorrendo até quarta-feira, quando chegou o frio e as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), utilizado nas compras a prazo, desaceleraram.
Até a quarta-feira, do total de consultas realizadas aos serviços de crédito da associação, as do SCPC eram 5,4% maiores que as do mesmo período de 2006, e as realizadas ao Usecheque, 5,1%. Após a chegada do frio, esses índices mudaram de proporção: o total de consultas de crediário passou a ser 3,9% superior às de 2006, e do cheque, 6,8% maior.
Segundo o economista Emílio Alfieri, ''o consumidor é sempre um utilitarista, se não precisar, ele não compra roupa de frio''. A previsão geral das vendas para o Dia das Mães está estimada entre 5% e 6% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo Alencar Burti, presidente da ACSP, os fatores macroeconômicos que impulsionam o uso do crediário continuam exercendo influência sobre o consumidor -queda dos juros, alongamento dos prazos, aumento no volume de crédito.
O peso dos impostos nos presentes que as mães vão receber chega a ultrapassar 50%, afirma pesquisa realizada pela empresa VerbaNet Legislação Empresarial. ''No Dia das Mães, o maior presente vai para o leão'', afirma o consultor Ernesto Dias de Souza.
Segundo o estudo, entre os produtos que lideram a lista dos mais vendidos e desejados está o telefone celular com câmara, cuja carga tributária é de 27,08%. Um aparelho de DVD, por sua vez, tem 36,65% de impostos embutidos, e um perfume importado, 52,4%.

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