Frio eleva em 30% média de preços no Ceasa de Londrina
Centro de distribuição registra primeiros reajustes sobre valor de hortaliças e funcionários esperam novas altas até próxima semana
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Centro de distribuição registra primeiros reajustes sobre valor de hortaliças e funcionários esperam novas altas até próxima semana
Fabio Galiotto - Grupo Folha 
O frio e as geadas da última semana começaram a fazer com que o consumidor levasse a mão ao bolso. Boa parte das hortaliças que saem do Ceasa de Londrina para mercados e quitandas da região passaram a custar cerca de 30% a mais já na quarta-feira (10) e correm o risco de sofrer novos reajustes nos próximos dias, quando a produção que estava no campo durante o fim de semana passado chegar ao centro de distribuição.
Por outro lado, o funcionário administrativo do Ceasa Luiz Alberto Sovierzoski lembra que é possível encontrar preços atrativos e evitar a alta. “Não pode se assustar. Tem de chegar cedo, tem de pesquisar e até optar por um produto de menor tamanho para manter o custo”, diz.
Ele afirma que a alta é reduzida até o momento porque, por exemplo, cai a procura por hortaliças folhosas no inverno. Após a chegada do frio ao Estado, o preço da caixa com nove pés de alface aumentou 33%, de R$ 11,25 para 15. “Os valores não subiram muito porque temos oferta para suprir a demanda, mesmo com a geada. Só que o impacto real vai ser sentido mesmo na semana que vem.”
O produtor de alface Sergio Adania, da Warta, confirma que o mercado está devagar para a verdura. “Soube que a geada atrapalhou alguns produtores em até 30%, principalmente ali na região de Tamarana, mas eu não tive problema. Mesmo assim, o preço não deve subir tanto, ou não vende.”
Também sofreram bastante com o frio os alimentos de cultivo rasteiro, como pepino, abobrinha e vagem. O pepino japonês foi de R$ 45 a 60 e o caipira, de R$ 50 a 60, por caixa. A vagem passou de R$ 60 para 70, a abobrinha itália subiu de R$ 50 para 65 e a variedade menina, de R$ 70 para 80.
Tanto a couve brócolis quanto a couve-flor foram de R$ 30 para 40 por caixa. Já os pimentões amarelo e vermelho foram de R$ R$ 85 para 100.
Algumas hortaliças tiveram reajustes bem superiores à média, mas nem sempre têm demanda. É o caso da ervilha torta, cujo aumento foi de 50%, com a valorização da caixa de R$ 40 para 60. O brócolis comum dobrou de custo, de R$ 25 para 50 por caixa. “Também soube que o jiló deu bastante problema, mas, assim como o quiabo, manteve o preço até agora em R$ 50. Deve subir nos próximos dias”, afirma Sovierzoski.
Em contrapartida, ele diz que verduras como o repolho não sofreram qualquer influência até o momento. O preço da caixa de 25 kg permanece em R$ 30.
TOMATE NO FOGO
O funcionário administrativo do Ceasa afirma que o preço do tomate já aumentou de R$ 90 para 100 por caixa no local, mas que é possível pesquisar e conseguir até por R$ 75. “Essa alta vem desde segunda. Também temos muito tomate verde, então vamos esperar para saber como ficará”, conta Sovierzoski.
Para o produtor Arnaldo Gonçalves da Silva, de Faxinal, uma parte do tomate ofertado está verde porque alguns agricultores tiveram a plantação queimada na metade superior do tomateiro e estão retirando frutos antes da hora para ter o que vender. “Sobrou muito pouco para quem não aqueceu com fogo ao lado das estufas durante a noite e não fez buracos no chão do lado de dentro para colocar carvão aceso e aquecer o solo. Eu não tive problema”, cita.
Silva, porém, também cita a falta de dinheiro do consumidor como impeditivo para uma alta mais robusta. “A turma vai ao mercado sem dinheiro e não compra o nosso produto. Se disparar o preço, só vai piorar.”
OUTROS MOTIVOS
Há alimentos que estão com preços em alta e que devem impactar a formação da cesta básica, mas a causa não está relacionada ao frio. O valor da batata abaixou de R$ 160 para 140 por saca, mas ainda é considerado alto por Sovierzoski. “A nova safra está entrando no mercado e deve cair mais, mas o preço normal seria em torno de uns R$ 90. Mesmo assim, se a pessoa optar por uma batata um pouco menor, consegue pagar menos. E temos a batata-doce, que continua barata”, diz.
Já a cebola de produção regional está no fim e o produto vem do Nordeste do País. Por isso, foi de R$ 35 para 50 por saca. “Essa cebola eu trouxe da Bahia. Sempre peguei de Minas nessa época, mas atrasou a produção lá. Do Paraná, só em dezembro”, conta o empresário Marcelo Alves Ribeiro, proprietário de um box no Ceasa.


