Frio afeta preços das hortaliças
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Quatro dias de baixas temperaturas foram suficientes para elevar os preços de algumas hortaliças. Em Londrina, por exemplo, os custos de alguns legumes como o pepino, tomate e chuchu foram reajustados em até 60% na Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa). Esse aumento de preços é sazonal e considerado normal, uma vez que essas hortaliças não costumam ser produzidas no inverno.
O pepino foi um dos produtos que mais teve seu preço reajustado. Na semana passada, a caixa de 20 a 22 quilos estava sendo comercializada por R$ 15; ontem, o preço saltou para R$ 25. Já a caixa de chuchu ontem foi vendida por R$ 20, enquanto na última sexta-feira o preço era R$ 12. Embora em menor índice, o preço do tomate também teve reajuste. De R$ 20, o preço da caixa subiu para R$ 24 ontem. A alta dos preços ocorre porque esses produtos são ''importados'' de outros Estados.
Por enquanto, o frio não teve qualquer efeito sobre o preço das folhosas, que são bastante sensíveis à queda de temperatura. Isso está sendo possível graças ao plantio em estufas, que protegem as plantas. Já itens como a vagem e o quiabo, que também não se adaptam ao frio, estão em constante variação de preço. Segundo o presidente da Associação dos Atacadistas da Ceasa, Clóvis Tzusaki, o movimento na central caiu cerca de 20%, se comparado com o ano anterior.
Redução - A alta dos preços também pode ser explicada porque nesta época do ano, a área de plantio de algumas hortaliças é reduzida. De acordo com Maurício Lunardon, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricutura do Paraná, a área do tomate, por exemplo, cai pela metade. O total plantado de ''tomate safrão'' é 2.250 hectares; já a área de ''tomate de risco'', plantado durante o inverno, é 1.142 hectares.
Isso ocorre porque a região de Curitiba, o principal pólo produtivo durante o verão, não planta nenhum tomate durante o inverno. Nesta época, a principal produtora passa a ser a região de Londrina. ''O tomate não é plantado no Sul durante no frio porque há mais riscos de ocorrer uma geada. Mas preço maior no inverno é normal mesmo sem geadas porque os agricultores reduzem a área de plantio'', explicou Lunardon.
Ele acrescentou que tanto o inverno e o verão afetam a fisiologia da planta. ''O calor acelera a maturação do fruto e, nesta época, há mais oferta. Já no frio, essa maturação não é acelerada e a oferta cai'', comentou. Mas também há algumas hortaliças mais resistentes às baixas temperaturas como cenoura, beterraba e repolho.


