Os frigoríficos do Paraná que destinam seus abates para o mercado interno estão enfrentando dificuldades para concorrer com os exportadores na aquisição da sua principal matéria-prima: o boi gordo. Com isso, alguns frigoríficos do Paraná suspenderam seus abates, e outros reduziram as escalas em 50%.
Segundo o diretor-executivo do Sindicarne-PR, Péricles Salazar, a partir de janeiro, quando real sofreu desvalorização frente ao dólar, os frigoríficos exportadores tiveram aumento substancial nas exportações e nos lucros. ‘‘Além dos ganhos cambiais, os exportadores têm ganhos com os benefícios fiscais, com a isenção de impostos na exportação’’, disse.
Com estas vantagens, observou, os frigoríficos exportadores têm condições de oferecer preços melhores pela arroba do boi gordo. ‘‘Enquanto a remuneração pela carne vendida no mercado interno não ultrapassa R$ 29,00/@, os frigoríficos exportadores pagam R$ 31,00/@, afirmando que tem margem suficiente para elevar o preço em 10%’, afirmou.
Salazar observou que os frigoríficos que abastecem o mercado interno são responsáveis por 95% da arrecadação de ICMS do setor e geram o mesmo percentual em empregos no Estado. ‘‘Como conviver com este tratamento desigual em benefício de 5% das indústrias do setor?’, questionou. Para Salazar, o governo deveria conceder o mesmo tratamento tributário na compra de animais, reduzindo à mesma alíquota dos exportadores, ou que estes tenham a mesma carga de ICMS do mercado interno.

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