Frigoríficos têm prejuízo de R$ 57/cabeça
ZONA-TAMPÃO Frigoríficos têm prejuízo de R$ 57/cabeça Sindicarne-PR argumenta que perda é provocada por proibição do trânsito de animais do Mato Grosso do Sul para São Paulo Arquivo FolhaTRIBUTAÇÃO DESIGUALSalazar, do Sindicarne-PR, diz que setor também precisa de equalização do ICMS com outros Estados Vânia Casado De Curitiba Os frigoríficos do Paraná estão tendo um prejuízo de R$ 57,00 por animal abatido, em função do desajuste do mercado de carne provocado pela declaração de área livre de febre aftosa para os Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste, sem incluir o Mato Grosso do Sul, maior Estado produtor de carne do país. O diretor-executivo do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, teme o aumento dos prejuízos e por isso pede a flexibilização nas regras que proíbem o trânsito de animais, principalmente entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. O Sindicarne argumenta, baseado em análises de consultorias, que a liberação do trânsito de animais do Mato Grosso do Sul, considerado zona-tampão, para São Paulo, que é área livre de febre aftosa, está dentro da análise de risco permitida pela Organização Internacional de Epizootias (OIE). Outra reivindicação do Sindicarne é a equalização do ICMS como os demais Estados produtores. De acordo com Salazar, o desajuste está sendo provocado porque os frigoríficos paulistas, impossibilitados de comprar boi no Mato Grosso do Sul, estão vindo ao Paraná e pagando mais pelo boi porque o ICMS da carne em São Paulo é zero, enquanto aqui os frigoríficos pagam 4%. Com isso, os frigoríficos paulistas estão exercendo uma pressão de compra no Paraná, o que ajuda a manter elevado o preço do boi no Estado, alargando ainda mais a diferença entre o valor pago pela arroba do boi e o preço de venda da carne. O resultado é que a carne produzida no Paraná tornou-se mais cara e sem condições de competição com os frigoríficos que desossam a carne no Mato Grosso do Sul. Para se ter uma idéia, ontem a arroba do boi no Paraná estava a R$ 36,00 contra os R$ 32,00 do Mato Grosso do Sul. No Paraná, o prejuízo entre a venda de carne, cujo preço desabou em função da retração do consumo, e de compra do boi gordo está sendo de R$ 3,35 por arroba, o que resulta em R$ 56,95, para 17 arrobas (peso médio dos animais abatidos). Com a permissão do trânsito de animais entre MS e SP, Salazar acredita que a pressão no boi gordo seria extinta no Paraná, abrindo espaço para uma redução da diferença dos valores pagos aos produtores pelos frigoríficos do Paraná. Salazar reconhece que as soluções estão difíceis, mas alertou que tanto as indústrias paulistas e paranaenses como os produtores do Mato Grosso do Sul não têm como aguentar um ano e três meses pela frente, com essa situação, até que a OIE aceite a inclusão do Mato Grosso do Sul no Circuito Pecuário Centro-Oeste.





