Frigoríficos têm dificuldade para exportar carne bovina
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quinta-feira, 18 de abril de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba - Os frigoríficos brasileiros estão com dificuldades de renovar as exportações de carnes. Após um boom nas vendas para o mercado externo no ano passado, os frigoríficos começaram a sentir que o câmbio muito barato pode levar o setor a ter prejuízos daqui para a frente. Além do câmbio, a retomada do Uruguai e Argentina no mercado externo acirra a competitividade nas vendas de carne.
Para o analista José Vicente Ferraz, da FNP Consultores, as exportações de carnes em geral devem recuar este ano. Ao contrário do ano passado, quando as exportações de carne bovina somaram 570 mil toneladas e faturamento que atingiu US$ 1 bilhão, a previsão para este ano é de queda nas exportações, prevê Ferraz.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes) Pericles Salazar, após os investimentos feitos na área sanitária para conquista do mercado externo, a queda no valor do câmbio mostra que daqui para a frente a guerra será comercial. A barreira sanitária foi vencida, agora temos que vencer a guerra no mercado, salienta.
E essa guerra já começou. Em São Paulo os frigoríficos estão pagando US$ 19 a arroba do boi ao pecuarista. Ocorre que a Argentina, que entrou há três semanas no mercado externo, está oferecendo a carne a US$ 13 a arroba. O problema é que a Argentina já tinha mercado cativo antes de suspender as exportações em função de focos de febre aftosa. Com tradição no mercado e preços atraentes, a tendência dos argentinos é retomar antigos mercados, prevê Salazar.
Para Ferraz, da FNP Consultores, não será tão fácil assim para os argentinos conquistarem antigos clientes de imediato em função da desorganização da economia argentina. Mas ele não descarta que para o segundo semestre deste ano, a Argentina possa recuperar mercados que hoje são ocupados pelos frigoríficos brasileiros.
Segundo o Sindicarnes, o desempenho negativo das exportações está atingindo também as exportações de aves e suínos. Nesses setores, o volume exportado até aumentou nos dois primeiros meses deste ano. Mas o resultado foi neutralizado pela queda no valor das carnes no mercado externo.Tanto a carne suína como de aves teve queda de 14% nas cotações no mercado externo.
Salazar lamenta que as exportações de carnes no ano passado cresceram sem fundamentos, com a correspondência em investimentos em marketing e promoções do produto brasileiro. Para enfrentar a guerra comercial e estimular as exportações, o empresário defende a formação de uma agência paranaense formada pelo poder público e iniciativa privada.


