Frigoríficos suspendem a compra de animais
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terça-feira, 18 de outubro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O frigorífico Margen, de Paranavaí (noroeste do Estado), que compra em média 800 cabeças de bovinos por dia, está suspendendo as compras de animais a partir de hoje, informou o gerente administrativo da unidade, Celso Bianchi. Aos pecuaristas, o frigorífico alegou que tem carne estocada e por isso prefere suspender as compras para ver como se comporta o mercado.
Essa decisão também deve ser adotada pelo frigorífico Garantia, de Maringá (noroeste do Estado), que é o outro frigorífico exportador do Paraná, acredita o economista Gustavo Fanaya, economista do Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes). Os dois frigoríficos - os únicos que exportam no Estado - compram juntos 30 mil bovinos por mês, volume correspondente a 25% dos abates com inspeção federal no Estado. Os abates com inspeção somam 120 mil cabeças por mês.
Segundo Fanaya, esses frigoríficos fazem parte de um grupo que também opera em outros estados e nesse momento eles estão traçando uma estratégia para exportação de carne bovina, após o embargo de um número significativo de países que suspenderam a compra de carne com a confirmação do surto de febre aftosa ocorrido no Mato Grosso do Sul. ''Certamente, outras unidades do grupo vão compensar as unidades que paralisaram as atividades para atender os contratos que ainda estão vigentes'', explicou.
O momento é de incerteza no mercado e os frigoríficos estão se precavendo. O mercado deixou de operar e as cotações mantidas só são virtuais. Assim como os frigoríficos reduziram as compras, os pecuaristas também não estão vendendo. Esse quadro está evitando a derrubada de preços, disse Fanaya.
O pecuarista Julio Azevedo da Rocha, de Maringá, disse que já houve uma queda de R$ 3,00 a R$ 4,00 por arroba na comercialição do boi e da vaca. Ele não vê motivos para a suspensão das compras porque não existe queda de consumo no mercado interno,''que precisa continuar a ser abastecido''. Segundo o pecuarista, o frigorífico de Colorado (85 km ao norte de Maringá), que abastece o mercado interno, já anunciou que vai voltar a comprar animais a partir de segunda-feira.
Em São Paulo, grandes frigoríficos também paralisam a linha de produção e estão dando férias a mais de 2,3 mil trabalhadores para evitar maiores prejuízos com a queda das exportações. Mais de 70% da carne exportada pelo Brasil sai de frigoríficos paulistas, que têm o Estado de Mato Grosso do Sul como principal fornecedor.


