Curitiba - Os prejuízos decorrentes das suspeitas de quatro focos de febre aftosa no Estado continuam se proliferando na economia paranaense. Entre os frigoríficos que suspenderam os abates e os que estão funcionando a meia carga, o trabalho foi reduzido em 50%. De 30 mil cabeças por mês que vinham sendo abatidos em frigoríficos com Serviço de Inspeção Federal (SIF), a previsão é que o mês de outubro feche com apenas 15 mil cabeças abatidas.
A situação não está mais dramática porque o Estado de São Paulo decidiu flexibilizar as barreiras interestaduais e permitiu a entrada de carne desossada e maturada. São Paulo é o maior comprador de carne bovina do Paraná, seguido do Rio de Janeiro e Santa Catarina, informou o Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarne).
Os frigoríficos suspenderam as compras mais por questões econômicas, porque temem a queda de preço da arroba. Segundo o assessor econômico do Sindicarnes, Gustavo Fanaya, as empresas temem o risco de comprar o animal por um preço e vender a carne por outro bem menor. O atual preço da arroba, de R$ 50,00, é frágil e pode despencar a qualquer momento.
Para evitar uma derrocada para o lado dos pecuaristas, o Sindicarnes está apelando às grandes redes de supermercados que operam no Paraná, que comprem a carne produzida no Estado. O temor das indústrias é provocar um desestímulo ao criador, que certamente levará à escassez de oferta de bois no futuro.
Se a flexibilização do Estado de São Paulo aliviou a situação dos frigoríficos, o mesmo não está acontecendo com o produtor de leite. Ainda na região de Castro, os prejuízos estão se ampliando. A portaria paulista abriu a fronteira para a passagem de produtos lácteos industrializados e leite pasteurizado, mas não permite a passagem de leite ''in natura'' resfriado.
''Os governos do Paraná e de São Paulo negociaram e só atenderam aos apelos das indústrias, deixando os produtores sozinhos e fracos'', lamentou o produtor Lucas Rabbers, de Castro. Os produtores da região entregam cerca de 60% da produção, avaliada em um milhão de litros de leite por dia, para indústrias paulistas.
Rabbers disse que está jogando na lavoura 10 mil litros de leite por dia, o que lhe dá um prejuízo diário de R$ 5 mil reais. ''Estou quebrado e desde ontem deixei de pagar contas''. Apesar disso, o produtor alegou que não deixou de ter despesas com ração, medicamentos, funcionários, energia elétrica e óleo diesel.
Segundo Rabbers, as indústrias da região conseguem absorver somente 30% da produção da região. As grandes indústrias da região como a Batávia, Líder e Confepar não conseguem mais absorver o leite e o produto ficou sem mercado, informou o produtor.

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