Frigoríficos pedem justiça tributária
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sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Os frigoríficos paranaenses estão perdendo mercado para os frigoríficos paulistas em função da batalha fiscal. Apesar de a carne do Paraná ser considerada de excelente qualidade, considerada melhor que a do Estado de São Paulo, o fato é que as grandes redes de supermercados estão preferindo comprar a carne de origem paulista porque podem ter um crédito de ICMS no valor de 12%, enquanto a compra dos frigoríficos paranaenses, o crédito é de apenas 7%. Essa diferença de 5% nos créditos de ICMS está prejudicando o setor no Paraná, afirmou Gustavo Fanaya, assessor do Sindicarnes - Sindicato da Indústria da Carne no Paraná.
O Sindicarne já obteve o sinal verde da Secretaria da Fazenda no sentido de corrigir essa distorção. Os frigoríficos esperam essa decisão na próxima reunião do Conselho de Política Fazendária (Confaz) que será realizada em Foz do Iguaçu. Enquanto isso, as empresas varejistas que compram de frigoríficos paranaenses entram com processo administrativo na Secretaria da Fazenda e estão conseguindo creditar a diferença, explicou Fanaya. Além da preferência pela carne paulista, os mercados paranenses estão com excesso de ofertas em função do impedimento para exportar carne com osso para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, desde o fechamento das fronteiras do Paraná com os outros dois estados do Sul, ocorrido no ano passado. Agora essa carne está sendo direcionada para as grandes cidades do próprio estado como Cascavel, Londrina, Maringá, Ponta Grossa.
Outro fator que está contribuindo para o excesso de carnes no mercado é o inverno ameno que favoreceu a decisão dos pecuaristas de segurar o boi por mais tempo no pasto. Agora a desova desses bois está coincidindo com a entrada de bois confinamento e semi-confinamento, agravando a situação. Todos esses fatores levam a concluir que o auge da entressafra tradicionalmente registrado em meados de outubro foi antecipado para o mês de agosto, quando o preço máximo da arroba do boi chegou a R$ 25,50.
Fanaya admite que são vários fatores que estão se acumulando num mesmo período vêm refletindo na queda dos preços. Nos últimos dias, o preço da arroba no Paraná tem oscilado entre R$ 24,00 e R$ 24,50 e não há perspectiva de subir, afirmou o representante do Sindicarnes. Apesar da queda, Fanaya disse que o preço da arroba do boi continua favorável para o pecuarista já que historicamente nessa época, os preços do boi variavam entre R$ 20 e R$ 22 a arroba.
A outra luta dos frigoríficos do Paraná - filiados ao Sindicarne, o setor organizado da comercialização e industrialização da carne - é a moralização do setor, combatendo abates clandestinos e sem inspeção do SIF, Serviço de Inspeção Federal.


