Frigoríficos não valorizam carnes de novilho precoce
Vânia Casado
De Curitiba
Cerca de 70 produtores da região Noroeste estão se organizando para venda direta da carne novilho precoce. A Sociedade Rural de Umuarama pretende terceirizar o abate e os cortes serão feitos numa sala de desossa construída pela associação dos produtores. O objetivo é conseguir uma valorização pela qualidade, afirmou Luiz F. Brondani, da Emater, responsável pelo programa de Pecuária de Curta Duração, que está introduzindo da criação do novilho precoce.
Com a criação de novilho precoce, abatido com 1 ano de idade, criam-se condições para oferecer um produto diferenciado, como quer o consumidor. As carnes são cortadas, embaladas à váculo e as embalagens incluem todas as informações como procedência, idade e sexo do animal. Esses cuidados já representam uma preparação para a rastreabilidade da pecuária que será exigida no ano que vem pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Os cortes especiais de contra-filé, picanha, filé-mignon e costela estão sendo apresentados ao público no pavilhão da Fábrica do Agricultor, instalado na Feira do Paraná. O objetivo é estimular o consumidor a exigir o produto diferenciado, já que os criadores estão se preparando para modernizar a pecuária de corte, disse o técnico da Emater Antonio J. Pereira. Segundo ele, as iniciativas de modernização da pecuária de corte existem, mas ainda são incipientes.
Os cortes especiais representam uma agregação de valor à pecuária, já que eles são apresentados conforme as exigências do consumidor. Isso evita que a carne de qualidade melhor caia na vala comum dos abates feitos no frigorífico, que misturam a carne de boa procedência com outras de animais mais velhos, que apresentam uma carne com fibras mais duras, salientou o técnico.
O ganho do produtor com o novilho precoce está no aumento do desfrute, com o abate de um animal por cria/ano.





