Frigoríficos não encontram animais com rastreabilidade
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terça-feira, 01 de outubro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os frigoríficos exportadores não estão encontrando animais que já tenham sido cadastrados pelo Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovino e Bubalino (SISBOV) nos últimos 15 dias. Essa é a maior dificuldade para os frigoríficos se enquadrarem na portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento que determina a compra de animais que apresentem rastreabilidade ou certificação.
A portaria que determina o abate de animais com rastreabilidade, para o cumprimento de cotas de exportação, está em vigor desde ontem, mas a polêmica em torno do assunto continua. Os pecuaristas resistem em adotar esse sistema porque representa um custo adicional na produção, que nenhum agente da cadeia produtiva ainda se dispôs a pagar.
Apesar disso, os abates continuaram ontem em ritmo normal. O Frigorífico Margem, de Paranavaí, que abate em torno de 800 animais por dia, para abastecimento interno e externo, não suspendeu os abates. A mesma dificuldade estão encontrando os demais frigoríficos dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, informou o consultor José Vicente Ferraz, da FNP Consultores.
Para Ferraz, apesar das prorrogações para vigência da portaria, vai ser difícil o cumprimento dela no curto prazo. Ele acha que o Ministério da Agricultura deu pouco tempo entre a certificação e autorização das empresas que vão fazer a rastreabilidade e a implantação do serviço. Para o consultor, se o ministério for rigoroso no cumprimento da portaria, ''certamente vai prejudicar as exportações porque não existe animais com rastreabilidade.''
Ferraz acredita que o ministério terá que recuar em sua decisão e adotar a ''rastreabilidade de véspera'', ou seja a empresa certificadora vai fazer o rastreamento dos animais na véspera do embarque para o frigorífico. Para o consultor, certamente esta será a tendência porque o ministério não vai arriscar as exportações de carne bovina para a União Européia, que representam 60% do volume exportado. Para preencher essa cota, pelo menos 10% dos abates no País teriam que ser de animais já rastreados.
O consultor lembra que o produtor precisa ser estimulado a fazer a rastreabilidade, através de vantagens como pagamento adicional porque o custo desse serviço não é barato. No Paraná, será criado um sistema estadual de rastreabilidade para atender todos os pecuaristas, inclusive pequenos e médios produtores.


