Frigoríficos enfrentam sua pior crise
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Da Redação 
As indústrias frigoríficas do Paraná estão enfrentando dificuldades para operar. Segundo o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), os frigoríficos têm enxugado seus custos para otimizar suas relações no mercado de boi e da carne.
O Sindicarne diz que uma série de fatores limita os ganhos do setor, e muitos já reduziram suas atividades. Entre os principais fatores, o Sindicarne diz que a política econômica adotada pelo governo federal limita o desenvolvimento das atividades econômicas, reduzindo a renda e, consequentemente, o consumo. A alta carga tributária, nas esferas federal, estadual e municipal é outro fator apontado pelo Sindicarne. A soma dos tributos é incompatível com a lucratividade do setor. Segundo o Sindicarne, as taxas de juros também comprometem a liquidez do setor.
A mudança na política cambial contribuiu para o agravamento da crise do setor. Segundo o Sindicarne, a dolarização do boi gordo fez com que os pecuaristas segurassem o animal no pasto na espera de melhores preços. Os preços da carne são em real e não em dólar, observou o sindicato.
Com isso, a cotação do boi gordo no Paraná está superior ao valor apurado com a venda da carne originada no abate do animal. O boi casado, que é a composição das peças de carne (dianteiro, traseiro e ponta de agulha) ontem era cotado a R$ 27,60/arroba. A arroba do boi gordo para abate estava em R$ 30,00. A venda dos subprodutos do animal acaba não cobrindo esta diferença, disse o sindicato.
Este problema também é agravado com a concorrência com o abate clandestino que não recolhe impostos. Desta forma, observa o sindicato, os abatedouros clandestinos têm condições de pagar mais pelo boi gordo e vende a carne a um preço inferior ao praticado pelo setor organizado.
A guerra fiscal com o ICMS também atinge o setor. Segundo o Sindicarne, em São Paulo, o imposto não é cobrado dos frigoríficos; e no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás, a alíquota é de 2%. No Paraná, a alíquota é de 4%.
O diretor do Sindicarne, Péricles Salazar, disse ontem que o Sindicato continuará lutando pela sobrevivêndia do setor, procurando eliminar ou atenuar os gargalos. Frisou que apesar das dificuldades, as empresas organizadas têm procurado alternativas para solução. É necessária a conscientização do produtor diante da crise de liquidez que penaliza o setor, disse.
O Sindicarne denuncia: a pecuária do Paraná sofre um enorme processo de esvaziamento. Milhares de animais saem do Paraná todos os meses para recria e engorda em outros Estados, principalmente São Paulo, sem pagar ICMS, e isto é verdadeiramente assustador.


