Frigoríficos do PR querem extinção de barreira do MS
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
Com a ampliação da área livre de febre aftosa com vacinação, a expectativa agora é que o Ministério da Agricultura suspenda as barreiras sanitárias estabelecidas ao longo das fronteiras entre os estados. Os frigoríficos do Paraná e São Paulo estão aguardando a suspensão das barreiras sanitárias que impedem o livre trânsito de animais e produtos oriundos do Mato Grosso do Sul, estado que lidera a produção de boi no País, com 23 milhões de cabeças.
A expectativa é que a liberação das barreiras aconteça até o dia 22 de janeiro, quando a comissão técnica da Organização Internacional de Epizootias deverá avaliar o relatório sobre a ampliação das áreas livres de febre aftosa enviado pelo Ministério da Agricultura.
A situação é de apreensão, disse o presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes-PR), Péricles Salazar. Ele denunciou a existência de uma pressão por parte do Sindicato do Frio de Mato Grosso do Sul para que o Ministério da Agricultura prorrogue a suspensão das barreiras sanitárias. O interesse dos frigoríficos do MS seria manter os preços do boi gordo em baixa naquele estado, para que eles possam manter uma boa margem de lucro quando revendem a carne sem osso para São Paulo, que é o maior mercado consumidor.
Com isso, o Paraná também sai prejudicado porque os frigoríficos paranaenses ainda estão impedidos de comprar animais vivos e produtos naquele Estado. Os frigoríficos do MS estão tentando garantir uma reserva de mercado, que não tem mais razão de existir depois que o Ministério declara aquele estado livre de febre aftosa com vacinação, disse Salazar.
Há dois anos, quando o governo federal determinou o fechamento das barreiras sanitárias, a diferença do preço do boi gordo era de 5%. Agora, essa diferença está em 17%. Enquanto no Mato Grosso do Sul, a arroba do boi gordo está em R$ 36,00, no Paraná o boi gordo está R$ 39,00/@ e R$ 40,00 em São Paulo. A Folha tentou ouvir o Sindicato do Frio do Mato Grosso do Sul, mas o contato telefônico não foi retornado.


