O Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne) denunciou em Maringá a saída clandestina de uma média de 10 mil bezerros por mês para São Paulo, o que representa evasão de ICMS de 4%, em prejuízo para a arrecadação estadual. ‘‘Esses bezerros saem do Paraná sem pagar imposto para recria e engorda em São Paulo, onde o ICMS não é cobrado, e acabam sendo vendidos por lᒒ, denunciou o diretor do Sindicarne Péricles Salazar.
Na última terça-feira à noite, donos de 20 frigoríficos do Paraná se reuniram no Hotel Bandeirantes, em Maringá, para debater a crise financeira das empresas do setor. Segundo Salazar, o principal problema dos frigoríficos é a cobrança de 4% de imposto sobre o valor da compra do boi. ‘‘Em São Paulo não se cobra imposto. No Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia e Tocantins o ICMS é de 2%. O que estamos pedindo ao governo estadual é, já que não dá para zerar, pelo menos nos equiparem aos outros Estados, cobrando 2%’’, pediu Salazar.
Segundo o empresário, o preço da arroba do boi em Mato Grosso e Rondônia é de R$ 25,00. ‘‘Aqui a arroba está a R$ 29,00. Por isso eles estão mandando muita carne para Curitiba e para as principais cidades do Estado, fazendo concorrência com a gente. E nós, por causa da diferença de preço, não conseguimos competir com eles’’.
Salazar denunciou ainda que a situação financeira dos frigoríficos está ficando pior a cada dia. ‘‘Pelo menos dez frigoríficos já começaram a enxugar os seus quadros, fazendo demissões. Pelo menos umas 50 por empresa. O problema deverá atingir os outros setores em pouco tempo porque o prejuízo é no dia-a-dia, é um processo muito rápido’’, disse Salazar.Marcos NegriniAbates suspensosReunião do Sindicarne: Frigoríficos demitem e ameaçam suspender abateMárccio W. Varella

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