Frigoríficos paulistas e paranaenses estão comprando gado no Paraguai, como alternativa para conter a retenção de animais por parte dos pecuaristas brasileiros, que estariam forçando uma alta no preço do boi gordo. A informação é de Gustavo Fanaya, assessor do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná - Sindicarnes. No sábado a arroba do boi chegou a ser cotada a R$ 39,00 na praça de Umuarama, valor considerado elevado pelos frigoríficos, que estão com dificuldade de repassar toda a alta para o setor varejista.
No Paraguai, os frigoríficos brasileiros estão comprando o gado por US$ 18,70 (menos de R$ 34,00) arroba, o que está compensando a arcar com os custos do frete, disse Fanaya.
A importação de gado vivo do Paraguai está liberada porque aquele país exibe condição sanitária de área livre de febre aftosa com vacinação, reconhecida pela Organização Internacional de Epizootias (OIE). O reconhecimento internacional da condição sanitária do rebanho bovino do Paraguai ocorreu no mesmo período que os dois estados do Sul como Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A importação é feita mediante processo no ministério da Agricultura. Segundo Fanaya, o ministério exige a comprovação da condição sanitária dos animais e avalia a documentação para saber se os animais estão vacinados ou não. No Paraná, os frigoríficos Naviraí e Umuarama, da região Noroeste, estão importando animais do Paraguai. Em São Paulo o Friboi, de Andradina, na região Noroeste do Estado também está importando, informou.
Frete é caro O Frigo Lopes, de Loanda, ainda não está comprando gado do Paraguai em função do frete que é alto, disse o proprietário Antonio Lopes. Segundo ele, as transportadoras cobram por quilômetro corrido, em torno de R$ 0,80 o quilômetro, que equivale ao custo do óleo. Com isso, o custo de internalização acaba saindo caro. Mas agora, com a nova alta no preço do boi gordo, Lopes acredita que fica viável pagar a conta do frete.
Segundo Fanaya, os pecuaristas estão inflacionando o mercado de uma tal forma como se os frigoríficos tivessem fechado vários contratos de exportação de carne, o que não está acontecendo. Há quem fale até que o boi gordo pode chegar a R$ 50,00 a arroba nesse período de entressafra, o que está sendo considerado ‘‘ uma falácia’’, porque não estão conseguindo repassar ao mercado consumidor, explicou.
Deral diz subiu 31% Conforme levantamento do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura do Paraná, o preço médio da arroba do boi gordo teve uma evolução de 31% entre junho do ano passado e junho desse ano. Esse aumento ocorreu por causa da estiagem que diminuiu a oferta de boi gordo para o abate e esse fato ajudou a sustentar os preços, avaliou o médico veterinário Adelio Borges.
No varejo, os preços aumentaram mas não na mesma proporção, comprovando a afirmação do Sindicarnes, que está difícil repassar a alta para o varejo.
No período de um ano, aumentou o preço do acém em 35,10%, a carne moída de 1ª em 26,72%, a costela, em 20,83% e o coxão mole em 5,71%. Só a alcatra que baixou de preço em 2,71%, no último ano, informou Borges.

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