Vânia Casado
De Curitiba
Alguns frigoríficos estão dando férias coletivas - e quatro fecharam as portas -, diante do impasse criado com a alta do boi gordo, de um lado, e o consumo fraco no varejo, de outro. Gustavo Fanaya, assessor econômico do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná, calcula que os frigoríficos estão perdendo 5% entre a compra do boi gordo e venda da carne. ‘‘Nem a venda dos subprodutos, que antes representava o lucro dos frigoríficos, está compensando’’, acrescentou.
Os pecuaristas estão vendendo o boi gordo a R$ 31,50/arroba, valor superior ao preço de venda no varejo. Com a carne a R$ 2,55/kg do traseiro e R$ 1,55 o dianteiro, o frigorífico não consegue mais de R$ 30,00/arroba, comparou.
Lucro é pequeno Sem margem de lucro, nem alternativas de buscar dinheiro no mercado financeiro, os frigoríficos estão optando por suspender as atividades para não fechar de vez. ‘‘Além disso, os frigoríficos com Inspeção Federal não podem sonegar impostos, onde conseguiriam margem de lucro para driblar a elevação no custo do boi gordo, a exemplo do que fazem os frigoríficos com inspeção estadual e municipal, que a fiscalização nem chega perto’’, denunciou.
Fanaya criticou também a concentração de venda de carne nas grandes redes do mercado varejista, que não reduzem o preço para elevar o consumo. Enquanto os açougues, que ainda comercializam metade da carne distribuída nos grandes centros, não abaixam os preços porque têm elevados custos fixos, os grandes supermercados trabalham com margem bem mais folgada, sendo apenas ligeiramente inferior aos açougues.
A crise dos frigoríficos vem se agravando desde a desvalorização cambial. Segundo Fanaya, os pecuristas querem equiparar o preço do boi gordo ao dólar, como faziam antes. Por outro lado, o consumo não reage. Com isso, o abate foi reduzido em 30%. Antes os frigoríficos abatiam de 80 mil a 90 mil cabeças de boi/mês. Hoje são 60.000. Refere-se aps frigoríficos com Inspeção Federal.

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