Frigoríficos acusam terrorismo
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de agosto de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Os frigorifícos de municípios do interior estão acusando o governo do Estado de fazer terrorismo fiscal. Eles estão descontentes com a operação Vigília do Boi, que intensificou a fiscalização da Receita Estadual. Os fiscais estão fazendo uma varredura nos 18 frigoríficos que estão inscritos no Serviço de Inspeção Federal (SIF). O trabalho dos fiscais começou no dia 15 e vai até a metade de setembro.
Durante o período de fiscalização, os fiscais ficam instalados dentro dos frigoríficos fazendo um arrastão em todas operações. Eles controlam os bois que entram e que saem e ainda os estoques. Depois será feita uma checagem dos números, disse o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis.
Em um documento anônimo enviado à Folha, a fiscalização é alvo de críticas. A operação é classificada de ação fiscal chantagiosa. Neste período o governo do Estado constatou que não houve aumento de arrecadação do ICMS e nem a lavração de qualquer auto de infração, que mostraria alguma irregularidade nestas empresas, diz a carta. A assessoria do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná disse desconhecer a autoria da denúncia.
O secretário Giovani Gionédis criticou as reclamações que podem ter partido das empresas. Se não devem não têm razão para temer. A operação nos frigoríficos foi priorizada após levantamento da Receita que mostrou que 30% da dívida ativa do Estado vêm dos frigoríficos. O sindicato das empresas esclarece que os devedores fazem parte de grupos de empresários que montam abatedouros fantasmas e que não estão inscritos no Serviço de Inspeção Federal.
Segundo Gionédis, a sonegação chega a R$ 40 milhões ao mês, o que dá um índice de 20%. O Fisco arrecada cerca de R$ 200 milhões em ICMS. A dívida ativa do Estado chega a R$ 1,4 bilhão.


