Frigorífico reinicia abates e parcela pagamento
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
A rotina de trabalho na unidade do Frigorífico Margen, em Lupionópolis (105 km ao norte de Londrina), estará normalizada hoje. Depois de mais de um mês de paralisação, as atividades recomeçaram na segunda-feira, quando foram abatidos 161 animais. Segundo o gerente da unidade, Fernando Utiyama, a capacidade de abate é de 400 cabeças/dia. Mas ontem, o que predominava no frigorífico era o clima de tranquilidade e satisfação entre os funcionários. Todos os 120 empregados que cumpriam aviso prévio foram readmitidos.
As atividades do frigorífico estavam paralisadas desde o início de dezembro de 2004, quando a diretoria e três sócios proprietários do grupo Margen com 21 unidades em oito Estados foram presos pela Polícia Federal na chamada Operação Perseu, suspeitos de sonegação fiscal, evasão de divisas, formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. Com os bens bloqueados pelo Justiça, as unidades reduziram e, posteriormente, suspenderam os abates. O grupo chegou a anunciar a demissão de seus 11 mil funcionários 2,3 mil só no Paraná. A diretoria e os sócios foram soltos no final de dezembro, depois que o Ministério Público Federal não apresentou denúncia. Os bens foram liberados na sequência.
A telefonista Elaine Galdino Freires está aliviada, pois temia não encontrar outro trabalho na cidade. ''Estava me preparando para morar em Maringá'', confessou. Já a auxiliar de produção Solange Angelo Santos disse que pôde voltar a dormir em paz. Antes da contratação pelo frigorífico, ela viveu o drama do desemprego por cinco anos. ''A cidade não tem muita opção de emprego. Foi a benção de Deus que nos devolveu o trabalho'', afirmou.
Além do retorno das atividades, a direção do frigorífico está regularizando o pagamento dos animais que também estava suspenso por causa do bloqueio judicial. O acerto de contas está sendo feito pela unidade de Paranavaí, onde fica o departamento financeiro do grupo. ''Nenhum produtor será lesado'', garantiu o gerente.
O produtor Marcelo Crivelari, de Astorga, disse que o pagamento das notas promissórias rurais (NPR) que estava atrasado foi parcelado. ''Não considero que fomos lesados pois o parcelamento foi aceito pelos produtores'', afirmou. No Estado, segundo o produtor, o grupo Margen é o único que abate e paga um valor a mais por isso o boi rastreado, cujo destino é o mercado externo.
A unidade do frigorífico, em Lupionópolis, está em funcionamento há seis meses, quando o grupo Margen arrendou as instalações de outra empresa que havia na cidade. A unidade abastece o mercado interno.


