Frigorífico injeta R$ 100 mi no Noroeste
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
Com um investimento de R$ 100 milhões em seu parque industrial, a nova processadora de aves para corte, BR Frango, que deve começar a operar no 4º trimestre deste ano em Santo Inácio, Noroeste do Paraná, promete fomentar a economia regional. A unidade de 350 mil metros quadrados deve gerar, inicialmente, por volta de 800 empregos diretos e 2.500 quando estiver completamente instalada. É quase a metade da população do município, que tem 5.269 habitantes.
Ao todo, a capacidade de produção prevista para a unidade é de 420 mil aves por dia. A empresa iniciará suas atividades neste ano com apenas um turno, processando em torno de 150 mil aves/dia. Reinaldo Gomes Morais, presidente da empresa, prevê que a região irá crescer com a BR Frango, injetando recursos também nos municípios vizinhos.
''Quando resolvemos instalar a empresa, procurávamos uma região que não tivésse grandes concentrações de produção avícola. Além disso, buscávamos um local com um sistema de logística e infraestrutura viáveis'', frisa Morais. Ele ressalta que a posição geográfica do Noroeste do Paraná é propícia pela facilidade de escoamento da produção aos portos de Paranaguá e Santos, além de ser caminho para o escoamento de grãos do Centro-Oeste, necessários para a alimentação das aves.
De acordo com o presidente da BR Frango, não só a empresa saiu ganhando mas também o município que aumentará a arrecadação de impostos e a oferta de empregos para a população. Segundo ele, com o avanço da mecanização das lavouras de cana-de-açúcar, muitos trabalhadores que ficarão desempregados por causa da inserção de tecnologia poderão ser absorvidos pela indústria de alimentos. ''Depois da BR Frango consolidada, cerca de 28 municípios serão beneficiados'', sublinha.
Hoje, a BR Frango tem cerca de trinta aviários próprios, com cerca de um milhão de aves alojadas. A meta, afirma Morais, é chegar a 100 aviários próprios. Porém, segundo ele, um dos objetivos da empresa é também fomentar a integração com produtores da região. Ontem, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e a BR Frango assinaram um convênio para a liberação de R$ 10,8 milhões para a construção de 40 aviários, com capacidade de alojamento de 37 mil animais cada.
De acordo com informações da empresa, o convênio deverá liberar R$ 300 mil para cada produtor. O prazo de carência é de dois anos, com dez de validade para o pagamento do empréstimo. A expectativa, de acordo com a BR Frango, é que, após a liberação dos recursos, os aviários fiquem prontos e já iniciem o processo de produção no prazo de seis meses.
Conforme o presidente da empresa, ao todo são cerca de 200 produtores que devem virar fornecedores da BR Frango. O frigorífico manterá em sistema de integração cerca de 240 aviários, fora as outras 100 instalações da própria empresa. Mesmo sem ter experiência na atividade, Morais garante que todos serão capacitados e terão todo o apoio técnico necessário para tocar a atividade. Como todo sistema de integração, o produtor ficará responsável pela construção e os gastos dos galpões. Em contrapartida, receberá os pintainhos, a ração e o apoio técnico.
Segundo Morais, a atividade avícola tem se mostrado bastante rentável, mesmo com os altos preços dos insumos e um câmbio desfavorável. ''Muitos produtores de soja, milho ou provenientes de outras atividades agropecuárias, estão querendo ir para a avicultura'', reforça.
Um dos co-fundadores da BR Frango, Claudio Artico, complementa que com todos esses investimentos, emprego não deve faltar na região. Ele comenta que a empresa já contratou técnicos para orientar os produtores que deverão em breve começar a produzir. ''A partir de setembro teremos cursos do Sebrae no município de Colorado que serão direcionados aos futuros integrados'', reforça.
Todos os colaboradores, segundo Artico, aprenderão regras de produção, manejo e cortes. Inicialmente, a empresa produzirá 100% para o mercado interno. Mas já no segundo semestre de 2012, de acordo com o presidente da empresa, 80% da produção deverá ser destinada à exportação. Por causa disso - também - é que todos os integrados terão que seguir as normas de boas práticas de produção.


