O frigorífico Naviraí, de Maringá, único em operação no Estado com planta especial para exportação, elevou em mais de 40% as exportações de carne desossada. Antes da desvalorização cambial, ocorrida em meados de janeiro, o frigorífico exportava 700 toneladas de carne bovina por mês. Hoje está exportando em torno de 1.100 toneladas. Com isso o valor de venda saltou de US$ 1,5 milhão para US$ 3 milhões, disse o diretor comercial, Laércio Figueiredo.
A elevação da receita, entretanto, não deverá ser revertida em investimentos, nem em contratações, ‘‘ pelo menos por enquanto’’, ressalvou Figueiredo. Isso porque a empresa não está segura em desengavetar os planos para novos investimentos, em função da instabilidade econômica. Segundo ele, tanto a cotação da moeda está em bases irreais, sendo que as posições do câmbio são bancárias e não estão sendo praticadas por exportadores nem importadores, trazendo insegurança para o mercado.
Se a cotação da moeda se estabilizar conforme a expectativa do mercado, entre R$ 1,60 e R$ 1,70, e as condições para exportação voltarem ao normal, com o restabelecimento das linhas de crédito e taxa de juros em patamares razoáveis, o frigorífico Naviraí pretende investir. O objetivo é aumentar o valor agregado dos produtos através da industrialização de cortes especiais de carne. ‘‘Queremos nos especializar em exportações de carnes cozidas, o que exige investimentos em equipamentos e pessoal especializado’’, disse.
O frigorífico aumentou a rentabilidade também em função da queda em dólar no preço de aquisição do boi gordo. Segundo a Secretaria da Agricultura, as cotações históricas giravam em torno de US$ 21/@ e agora baixaram para US$ 15/@.
Além da expectativa de aumento nas exportações de carne bovina, a desvalorização cambial está provocando um outro efeito que é a queda de 20% nas cotações da carne no mercado externo. Isso porque o Brasil deixou de importar carne da Argentina, que é o maior país exportador, e da Austrália, gerando um excedente de oferta, avaliou Gustavo Fanaya, assessor econômico do Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes). ‘‘ Agora está ocorrendo o contrário, além do Brasil importar menos, prepara-se para disputar o mercado externo.’

mockup