Brasília- O advogado do Frigorífico Frigoara, Eduardo Mahon, acusou ontem o Friboi de ''esquentar carne'', ou seja, comprar bois ou carne em áreas não liberadas para exportação, onde o preço é mais baixo, para abatê-los nas plantas da empresa autorizadas a exportar. Esse tipo de operação é proibido. ''Entregamos documentos ao Ministério Público Federal que levam a crer que o Friboi compra a carne de Rondônia, Pará, Acre e Tocantins, recebe este produto em Araputanga, em Mato Grosso, e depois o exporta para a Comunidade Européia e para a Rússia'', disse Mahon.
A denúncia foi feita em audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a denúncia de formação de cartel entre os frigoríficos. Na reunião, o advogado do Friboi, Francisco de Assis e Silva, negou esse tipo de operação. Segundo a acusação, a compra seria feita em regiões não autorizadas para exportação, o que poderia prejudicar a imagem da carne brasileira no mercado externo. De acordo com Mahon, o negócio teria como objetivo derrubar os preços do boi gordo em praças onde a cotação é mais alta.
Rússia e União Européia são os clientes mais exigentes em termos sanitários. A denúncia foi feita pelo Frigoara com base em notas fiscais assinadas por diretores do Friboi. De acordo com Mahon, no balanço contábil do Friboi foram lançadas compras de carne de Araguaína e Gurupi, no Tocantins; de Sinop, no Mato Grosso; de Ji-Paraná e Porto Velho, em Rondônia; e também de Marabá e Redenção, no Pará.
De acordo com a denúncia, as regiões citadas acima não são habilitadas para exportação de carne para o mercado europeu, o que por si só impediria o ingresso de qualquer produtos dessas regiões para ser beneficiado em unidade frigorífica de Araputanga, no Mato Grosso, que é habilitada.
Silva alegou que não teve acesso às notas fiscais, mas disse que, se esse tipo de compra foi feita, o objetivo foi abastecer o mercado interno. ''Se houve compra de carne de outros lugares, o procedimento foi autorizado. A carne de áreas não autorizadas não foi para exportação'', garantiu. ''Se ocorreu, a compra foi feita dentro da legalidade.''
A área técnica do Ministério da Agricultura informou que é permitido o abate de animais criados em áreas não habilitadas em frigoríficos habilitados, desde que os lotes passem por quarentena. Só é permitido o comércio de carne desossada ou maturada. Mas essas duas alternativas só são aceitas quando a carne é destinada ao mercado interno. Para exportação, a prática é proibida.

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