O Brasil tem 25 quilômetros de rodovias por cada mil quilômetros quadrados de área total. Nos Estados Unidos, essa razão é de 438,1 quilômetros por mil. Na Ucrânia, 275,2; e no Canadá, 41,6. Os dados fazem parte do estudo "Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho", divulgado ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
A Ucrânia tem 35,8 quilômetros de ferrovias por mil quilômetros quadrados de território. Nos EUA, são 22,9 quilômetros de trilhos para a mesma área. Na Índia, 19,5; na Argentina 13,3; no Canadá 4,7; e, no Brasil, 3,4. As deficiências na infraestrutura de transporte na comparação com os principais concorrentes exportadores de grãos faz com que o frete represente 23% do preço final da soja brasileira e até 50%, do milho.
A pesquisa da CNT ouviu associações de transportadores, federações de agricultores, além dos embarcadores (donas da carga), entre eles as grandes cooperativas e tradings, de agosto a outubro de 2014.
A diferença também é gritante no modal hidroviário. Para exportar sua soja e seu milho, o Paraguai tem 7,6 quilômetros de hidrovias para mil quilômetros quadrados de área total. A Índia tem 4,4 e os Estados Unidos, 4,2. Nesta comparação Argentina e Ucrânia também vêm antes do Brasil, com, respectivamente, 4 quilômetros e 2,8 quilômetros por mil quilômetros quadrados de área. Brasil tem 2,6 quilômetros de hidrovias por mil de área total.
E o Custo Brasil se agrava quando os grãos chegam nos portos. No ranking do Fórum Econômico Mundial sobre qualidade da infraestrutura portuária, o País ocupa a 122ª posição de 144 países pesquisados. É incrível que consiga competir com Estados Unidos (12º), Canadá (21º), Índia (76º), Argentina (91º), Ucrânia (107º), Paraguai (108º).
Além da inferioridade na infraestrutura, o País fez a opção pelo modal mais caro, o rodoviário: 65% da soja brasileira segue até o porto por caminhões, enquanto, nos Estados Unidos, são apenas 20%. A Argentina tem uma participação do modal rodoviário maior que a do Brasil (84%). Acontece que, no país vizinho, as distâncias são bem menores. Pelas hidrovias, seguem somente 9% da soja brasileira contra 49% nos Estados Unidos e 3% na Argentina. Sobre trilhos, o Brasil carrega 26% da oleaginosa. Nos EUA e Argentina seguem por trem 31% e 13% respectivamente da soja exportada. A CNT mostra que a tonelada transportada por quilômetro custa R$ 0,10 nas rodovias. No trem, é 16% mais barata, e nos rios, 33% menor.
Segundo a pesquisa, o País deixou de lado os investimentos em transporte em sua história recente. Em 1976, investia 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e, na última década, apenas 0,4%. No ano passado, os R$ 15,6 bilhões investidos representavam apenas 0,29% do PIB.
Gerente de Logística da Integrada, Celso Otani afirma que os custos com fretes da Cooperativa não chegam à média apurada pela CNT. "Hoje, o preço pago ao produtor é de R$ 55,50 a tonelada da soja. Em frete, gastamos R$ 6, ou seja, 11%", conta. Para ele, não há uma única solução para tornar o transporte menos oneroso. "A solução teria de ser integrada. Precisamos agilizar o processo no porto, ter ferrovias mais eficientes, aumentar a capacidade de armazenagem no campo", declara.
Otani estima que somente 30% dos grãos da Cooperativa são transportados por trem. E o pedágio representa até 15% do frete rodoviário.

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