Uma carreta do tamanho padrão, carregando cerca de 27 toneladas de soja em grão, de Maringá ao Porto de Paranaguá, cerca de 590 a 600 quilômetros, está gerando uma receita que varia entre R$ 11.250,00 e R$ 11.300,00, considerando um preço médio de R$ 25,00/saca. E apresenta um custo, só de transporte, de R$ 1.100,00. Ou seja entre 9,8% e 10,0% do total da receita.
Percentual semelhante, ou 11%, é a participação do pedágio no custo do transporte: do total de R$ 1.100,00, exatos R$ 120,00 equivalem ao pagamento de pedágio, no mesmo percurso.
Portanto, cerca de 10% da receita do produto é abocanhada pelo transporte.
É muito?
Claro que é, principalmente se comparado ao custo do transporte nos Estados Unidos, por exemplo, em que o custo médio é de R$ 18,00/tonelada, cerca de 18% do custo brasileiro.
Só que esses valores - R$ 35,00 a 40,00/tonelada - são o preço calculado esta semana, período de entressafra nas estradas. Quando chegar em abril/maio no alto do fluxo da comercialização e embarques, admite-se uma reação nos preços do transporte de tal forma que a participação do frete na receita chegue a 13% ou até 15%, como no ano passado, quando o preço/tonelada chegou a R$ 55,00 e em alguns casos até 60,00/t.
Nesta safra, o custo pode pular dos atuais R$ 1.100,00 para R$ 1.500,00 (considerando a receita de R$ 11.300,00).
A Faep tem estudos a respeito do custo do transporte e tenta mudar esse quadro, segundo o assessor técnico do Departamento Econômico da entidade, o engenheiro agrônomo e economista Nilson Hanke Camargo.
O custo do transporte abocanha uma fatia muito grande da receita da produção e, portanto, de um bom segmento da sociedade. E reflete no preço final do alimento. Antes mesmo da temporada, que começa em março/abril, a entidade deve viabilizar uma proposta para redução dos custos. ‘‘Estamos atônitos com este custo e a diretoria da Faep está trabalhando no sentido de reduzir esses números’’.
Ferrovia - A ferrovia poderia ser a grande alternativa de transporte. No entanto, faltam vagões e máquinas. Falta melhora as condições do próprio leito ferroviário.
O trem, hoje, carrega apenas cerca de 20% do total da soja escoada para o Porto de Paranaguá. E é caro: custa para as pequenas cargas transportadas cerca de 80% do preço da rodovia; historicamente este preço varia entre 40% e 50%, no máximo, do preço cobrado pelo caminhão.
Entidades como a Faep e Ocepar estão gestionando junto ao governo do estado para evitar o atraso no Porto de Paranaguá, como ocorreu ano passado, em que a fila chegou perto de Curitiba.
A demora no cais é fator que onera os custos do transporte. Porém, o custo da tonelagem tem peso mais importante e precisa ser atacado, segundo a Faep. Só que a entidade está consciente que não basta fundamentar as propostas com base em estudos e levantamentos: é preciso um plano de governo e a participação de entidades do setores rodoviário e ferroviário.

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