O frete rodoviário de grãos deve chegar neste mês de março a um patamar 15% mais alto que o do mesmo mês do ano passado. O aumento vai significar mais que o dobro da inflação, de cerca de 6% dos últimos 12 meses. O Sindicato das Empresas de Transporte do Paraná (Setcepar) não descarta que o reajuste atinja 20% em determinadas rotas até abril.
Em fevereiro, nas regiões onde a colheita estava avançada, o frete já havia subido 10%. É o caso do trecho Cascavel-Paranaguá, cujo valor da tonelada transportada saiu de
R$ 103 (em fevereiro de 2013) para R$ 113. E a estimativa do Setcepar é que chegue, no mínimo, a R$ 118 em março.
Segundo a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) de Mato Grosso, nesta semana, a tonelada transportada na rota Sorriso-Santos, uma das mais longas do País, havia atingido o valor recorde de R$ 330 a tonelada, 10% a mais que no mesmo período do ano passado.
De acordo com Ítalo Lonni Júnior, diretor do Setcepar em Londrina, a chuva foi um dos ingredientes que justificaram o aumento em Mato Grosso. "A chuva atrasa a colheita e, quando estia, o pessoal quer tirar a soja da roça toda de uma vez. Então vira aquele corre-corre e o frete sobe", afirma.
Mas, segundo o empresário, há várias outras razões para o aumento. E, por isso, os preços também subiram no Paraná, onde a chuva não atrapalha a colheita. "A Lei do Descanso continua a impactar no frete", declara. Lonni Júnior se refere à Lei 12.619, que obriga os caminhoneiros, inclusive os autônomos, a descansarem ao menos 11 horas entre uma jornada e outra de trabalho.
Antes da lei, que foi sancionada em 2012, os motoristas tinham uma média diária de 16 horas ao volante e, não raro, ficavam sem dormir no pico da colheita. De acordo com o diretor do sindicato, a lei continua impactando nos valores de frete, mesmo após dois anos de sancionada, porque vem sendo cumprida aos poucos pelo setor de transporte.
"Também tivemos aumento de diesel e de pedágio", ressalta o empresário. Segundo a NTC&Logística, associação nacional das transportadoras, o óleo diesel subiu em média 17% em 2013. Em novembro do ano passado, as tarifas de pedágio no Paraná aumentaram 5,7%.
Num valor de R$ 113 a tonelada em fevereiro, o frete de Cascavel a Paranaguá irá custar R$ 4.181 numa carreta de sete eixos (bitrem), capaz de carregar 37 toneladas de carga líquida. Esta carreta paga R$ 602 de pedágio (só de ida) ao porto, ou seja, 14% do frete total. Embora a lei determine que o pedágio seja pago pelo embarcador (dono da carga), a FOLHA apurou que não é isso que ocorre na prática.
"Nós, do setor de transporte, temos muitos custos e cada vez mais altos. Não somos vilões desta história", afirma Lonni Júnior. Ele explica que a colheita na região de Londrina ainda não começou. Diz que ela será rápida (no máximo 30 dias) e que o valor da tonelada até Paranaguá será próximo daquele pago pelo produtor de Cascavel.

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Imagem ilustrativa da imagem Frete de grãos vai subir ao menos 15%
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