O Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado do Paraná – que representa os frentistas de postos – está acusando os empresários que trabalham com gasolina adulterada de forçar a queda dos preços e agravar os problemas sociais da categoria, com o aumento do desemprego.
O presidente do sindicato Renato Bartnack enviou ontem um ofício, pelo Correio, à Promotoria de Defesa da Cidadania de Londrina pedindo sua intervenção ‘‘junto ao setor de revenda de combustíveis no que diz respeito à política de preços ao consumidor’’.
Bartnack alegou que os ‘‘preços baixos’’ do combustível levam ao não recolhimento do Fundo de Garantia por parte dos patrões. ‘‘Tenho recebido denúncias de que os donos de postos de Londrina querem baixar os salários da categoria porque estão operando com margem de lucro reduzida’’. O piso dos frentistas é de R$ 370,5 mensais.
O desemprego do setor no Paraná cresceu 20% nos últimos dois meses por causa da concorrêcia desleal, segundo Bartnack. Os dados do sindicato indicam que 400 frentistas perderam o emprego em Londrina de janeiro a agosto deste ano. Em Curitiba, foram duas mil demissões e, em todo o Paraná, quatro mil. A minoria dos trabalhadores é reaproveitada nos novos postos que estão abrindo no Estado, segundo Bartnack. Existem cerca de 20 mil frentistas no Paraná. Na região de Londrina, o setor emprega 1,5 mil pessoas.
O presidente do sindicato acusou o consumidor de ‘‘não se preocupar com os problemas sociais’’ dos frentistas. ‘‘Eles querem comprar gasolina por um preço menor do que água. Mas o consumidor tem que pagar um preço justo para que os patrões consigam pagar os salários dos funcionários. O consumidor está muito reclamão’’, acusou Bartnack.
O empresário londrinense Maxwell Pavesi, dono de sete postos, disse ontem que terá que demitir 50% dos seus 60 funcionários ‘‘caso a população não comece a frequentar postos que vendam gasolina por um preço justo’’. Ele considera preço justo qualquer valor entre R$ 1,49 a R$ 1,59. ‘‘Pago R$ 1,37 pelo litro da gasolina’’. Pavesi demitiu 15.
ProconO Procon de Londrina recebe uma média de dois telefonemas por semana de consumidores reclamando da qualidade do combustível adquirido em alguns postos da cidade. O coordenador do Procon, Rogério Marçal, disse que o número de queixas é pequeno porque a maioria das pessoas não costuma ter a nota fiscal da compra, fundamental para oficializar a reclamação. (Cláudia Lopes)

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