O Paraná deve amargar ainda mais dois meses de pouca chuva. O volume não será suficiente para recuperar o déficit hídrico deixado pela estiagem. Segundo Marcelo Brauer, meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), apenas o litoral, Vale do Ribeira e a Região Metropolitana de Curitiba registraram precipitações pluviométricas regulares entre janeiro e abril. Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Guarapuava alcançaram mais de 60% da média prevista para o período enquanto nas regiões Oeste e Sudoeste choveu menos da metade do necessário.
A seca foi provocada por uma massa de ar seco que predominou sobre a porção oeste do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Argentina no primeiro trimestre do ano. Enquanto isso, as frentes frias deslocaram-se pelo leste até o Oceano Atlântico. ''A previsão é que a partir de agora novas frentes frias tragam chuva para o Estado a cada 10 dias seguida por uma massa de ar frio, derrubando a temperatura'', explicou o meteorologista.
Quem mais sofreu com a falta de chuva foram os agricultores que em alguns casos tiveram prejuízo considerável. Um deles é Mário Volpato que perdeu 20% da lavoura de soja em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Para ele, a chuva dos últimos dias chegou em boa hora porque as sementes de trigo acabaram de ser plantadas. ''Mas é preciso que chova mais a partir do final do mês'', concluiu o produtor rural.
Em Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana), a estiagem foi branda graças à posição geográfica do município. No caso da família Uemura, que cultivou soja e milho no último verão, a perda foi pequena. Segundo Humberto Uemura, as áreas que foram semeadas entre o final de outubro e começo de novembro renderam, no máximo, 130 sacas por alqueire, enquanto a média da região foi de 150 por alqueire. ''A falta de água ocorreu justamente na fase de enchimento dos grãos que é uma das mais importantes do ciclo'', justificou.
Além disso, a família vendeu o milho numa época em que o preço estava baixo para quitar as dívidas. De acordo com Uemura, isso aconteceu porque ainda havia estoque de milho safrinha em janeiro e fevereiro. A previsão é que a estiagem desse ano comprometa a produção do milho safrinha que está em fase de plantio e garanta a tabela no início de 2005.

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