Freada da economia faz dólar subir
Os juros futuros continuaram caindo ontem, ainda em consequência do resultado do PIB do segundo trimestre divulgado anteontem, que mostrou queda de 0,99% em relação ao primeiro e alta de apenas 0,79% na comparação com o segundo trimestre do ano passado. Os números ficaram muito distantes dos cálculos do mercado, que estimavam crescimento entre 1,7% e 2,9% na comparação 2000/2001.
Mas não são só os números do IBGE que mostram o tamanho do tranco na economia. A indústria de bens de capital parou de receber encomendas de máquinas e equipamentos. ''Isso compromete o desempenho da economia nos próximos dois anos'', disse ao jornal Julio Sergio Gomes de Almeida, do Iedi. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, não vai tão longe, mas admitiu ontem que o resultado do PIB também poderá ser ruim no terceiro trimestre. Ele deve ter em mente que ainda há muito a ser contabilizado do efeito negativo do câmbio, juros e racionamento de energia na economia.
O mercado reduz suas projeções de juros porque acha que, nessas condições, seria uma insensatez elevar mais ainda o juro básico da economia (Selic), ontem em 19%. A hipótese de alta, para a maioria dos operadores, fica reservada para o caso de quebra da Argentina. Mesmo assim, seria uma alta mais suave do que a imaginada antes. O Comitê de Política Monetária (Copom) define a Selic na próxima semana, em sua reunião dos dias 21 e 22.
O mercado cambial doméstico está cético sobre eventual liberação de ajuda financeira internacional à Argentina sem a exigência de contrapartida, como a mudança no regime de currency board (paridade entre peso e dólar) e a saída do ministro de Economia, Domingo Cavallo. O dólar comercial encerrou no preço máximo de venda, a R$ 2,5020, em alta de 0,40%. Neste mês, o ganho frente ao real está acumulado em 1,30% e, em 2001, em +28,24%.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,09%, entre a mínima de R$ 2,4750 (-0,68%) e a máxima de fechamento de R$ 2,5020 (+0,40%). O giro financeiro no D+2 pronto somou US$ 1,100 bilhão, ante US$ 1,523 bilhão movimentado anteontem.
A Bovespa fechou em baixa de 1,09%, para 13.509 pontos o menor nível do ano por conta de uma confluência de fatores negativos. Como motivos para o recuo, operadores citaram a queda do PIB de 0,99% no segundo trimestre ante o primeiro, a desconfiança de que o pacote multilateral para a Argentina possa ser ''muito barulho por nada'', a violenta desvalorização da Globocabo e a proximidade do exercício de opções sobre ações.
(Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)





