Fraudes provocam prejuízos de até R$ 1 bi às empresas
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segunda-feira, 30 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Mal que acomete empresas de todos os portes no Brasil, tanto do setor público como do privado, mas que fica submerso, invisível, sem esclarecimento e sem punição, a fraude provoca prejuízos de milhões e milhões de reais. O combate a essa ação permanente e corrosiva nas empresas exige uma política de ética em todos os escalões e rotinas preventivas que impeçam o início da prática fraudulenta. Essas são algumas das conclusões da pesquisa feita pela KPMG, empresa internacional de consultoria e auditoria, cuja experiência no Brasil identificou casos de fraudes de R$ 1 milhão a até R$ 100 milhões, totalizando R$ 1 bilhão.
Não é um privilégio brasileiro, diz o presidente da KPMG no Brasil, o britânico David Bunce, em entrevista exclusiva à Agência Estado, da qual participou também o diretor de Forensic Services, Werner Scharrer. A fraude ocorre no mundo todo, nossa experiência é que as empresas em todo o mundo estão decidindo atuar firmemente contra esse tipo de crime. É uma opção pela ética dentro das corporações, no relacionamento com os fornecedores e com a sociedade, disse Bunce.
Na prática, prega Bunce, o diagnóstico é que não se pode mais conviver passivamente com a fraude: Ela tem de ser denunciada publicamente, punida e levada à Justiça. No Brasil ainda não se sabe ao certo quanto se perde.
A publicação A Fraude no Brasil Relatório da Pesquisa 2000 é o resultado da primeira incursão anual da KPMG num universo de cerca de 1.000 empresas, tanto do setor privado quanto do público. Os questionários foram enviados em março deste ano para os executivos-chefes dos mais diversos setores.
A decisão de fazer a pesquisa no Brasil foi tomada depois de a KPMG ter certeza pelos inúmeros casos que recolheu que o problema é grave e afeta um universo muito grande de empresas no País. A KPMG critica o modo de se tratar a fraude no Brasil, que evita escândalos, com demissões simples, sem justa causa.
Entre os casos coletados, há até fraudadores que saíram da empresa roubada com carta de referência. E foram fraudar em outro lugar, claro, acrescenta o diretor da KPMG Werner Scharrer.
Há todos os tipos de casos de fraudes, desde as mais comuns, que envolvem vales de despesas, de condução, até grandes golpes, cometidos em desvios de cargas, de dinheiro graúdo, documentação, na área trabalhista e contábil.


