Fraudes no meio eletrônico somam R$ 685 mi em seis meses
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
Não é novidade que o brasileiro utiliza cada vez mais cartões de crédito e débito para fazer transações. A Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), entidade que representa o setor, estima que este mercado brasileiro atingiu as 700 milhões de unidades no fechamento de 2011. A expectativa era que o dinheiro de plástico chegasse à marca de oito bilhões de transações ao longo do ano, movimentando R$ 667 bilhões em pagamentos - um aumento de 23% sobre 2010.
Proporcionalmente, de acordo com os últimos dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as perdas com fraudes bancárias realizadas pelo meio eletrônico somaram R$ 685 milhões no primeiro semestre de 2011, 36% maiores que o prejuízo calculado no mesmo período do ano anterior.
Henrique Takaki, coordenador do Comitê de Prevenção da Abecs, lembra que os criminosos podem utilizar os dados do cartão em transações pela internet, que exigem apenas o número do cartão e o código de segurança para a efetuação de compras. Por isso, tanto a Abecs quanto a Cielo (empresa que habilita estabelecimentos comerciais a aceitarem pagamentos com cartões) orientam os comerciantes a tomarem alguns cuidados para que suas lojas não se tornem alvo de fraudadores.
Conforme as duas entidades consultadas, é fundamental que os lojistas redobrem a atenção, principalmente com falsos credenciadores. Segundo Takaki, os falsos técnicos vão aos estabelecimentos para tentar colocar equipamentos POS adulterados com um dispositivo chamado de ''chupa-cabra'', que faz a cópia de dados do cartão a partir da trilha magnética da máquina. ''O falso técnico chega sem ter sido solicitado e sem identificação da empresa adquirente.''
O vice-presidente executivo de Tecnologia e Operação da Cielo, Paulo Guzzo, recomenda ainda observar o estado do equipamento quando ele retorna à empresa de alguma manutenção. ''Preste atenção se o equipamento chegou com alguma coisa diferente, como cola por cima ou furos e acione a central de manutenção'', adverte.
Conforme Takaki, os lojistas devem se atentar ao comportamento dos funcionários, que podem ser subornados por bandidos para copiarem dados de cartões. O comportamento do cliente também pode denunciar muita coisa. ''Há atitudes bastante suspeitas, como aquele cliente que tem vários cartões e os troca com muita facilidade, que não se incomoda com a numeração das roupas ou que compram dois ou três televisores'', cita.
A ação dos fraudadores também pode estar escondida no computador do estabelecimento através de softwares maliciosos que capturam dados dos clientes e os enviam para pessoas com más intenções, complementa Guzzo. ''É importante educar o lojista para que ele consiga detectar situações diferentes'', ressalta.


