Fraudes no frango e leite são preocupantes
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sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) pretende lançar no início de outubro um selo de qualidade entre seus associados. ''Há um entendimento entre os produtores de que é preciso sinalizar ao consumidor que nosso produto está de acordo com os mais rígidos padrões de qualidade praticados no mundo'', explicou Domingos Martins, presidente do Sindicato.
A hidratação das carcaças é hoje a maior preocupação do Ministério da Agricultura em relação à avicultura. De acordo com a Portaria nº 4, da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), o limite máximo de absorção de água no processo de industrialização do frango é 8% do volume total. O excesso, voluntário ou não, é considerado, no mínimo, uma fraude econômica. ''Dependendo do líquido que foi injetado, o consumo pode ser prejudicial à saúde'', alertou Hélio Schorr, médico veterinário e gerente comercial da Cooperativa Agrícola Consolata Ltda (Coopacol).
Para que o frango não absorva mais água que o permitido é imprescindível a precisão do chiller. É neste equipamento, em formato de caracol, que as carcaças serão resfriadas antes de serem embaladas ou cortadas. Segundo Genezio Ricardo Garbin, gerente industrial do frigorífico Diplomata, o chiller possui entre 15 e 22 metros de comprimento por onde circula uma corrente de água a 2º Celsius. ''O controle da máquina é extremamente simples e qualquer excesso de hidratação, com certeza, é intencional'', completou Schorr.
Segundo Juarez Deconto, chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Aninal (DIPOA) no Paraná, o teste de gotejamento (Dripping Test) é o exame indicado pelo Ministério da Agricultura para identificar esse tipo de irregularidade. Quando o excesso de água varia entre 6% e 7% do volume da carcaça repete-se o teste. Se o resultado exceder 7%, a indústria é advertida e o lote apreendido para reprocessamento. Na segunda vez, a indústria é multada em até R$ 25 mil e a cada nova autuação o valor é dobrado. A quarta reincidência é punida com a interrupção da produção até que a indústria comprove, através de quatro laudos laboratoriais, que está dentro da lei. Em caso de hidratação superior a 8% da carcaça, o lote é recolhido e doado ao Programa Fome Zero.
Outro tipo de fraude que também chama a atenção do governo é a adição de soro ao leite. Devido ao rigoroso padrão de qualidade internacional, isso é mais comum no leite fluído que é comercializado somente no mercado interno. De acordo com Deconto, o Brasil possui apenas um laboratório que realiza o teste da cromatografia líquida de alta performance. O objetivo é descobrir se o produto investigado carrega glucomacroprotídeos (resultantes da coagulação do leite) em sua fórmula. Essa deficiência estrutural permite que cada usina de beneficiamento passe pelo exame apenas duas vezes por ano. ''As indústrias que trabalham dentro da lei também são prejudicadas porque sofrem uma concorrência desleal'', afirmou Sebastião Jamil Beleboni, vice-presidente da Cooperativa Central Agroindustrial Ltda (Confepar).
O consumidor que se sentir lesado pode reivindicar seus direitos no Procon. Segundo Gerson da Silva, coordenador do órgão em Londrina, o consumidor não tem informações suficientes para sustentar suas suspeitas que só podem ser comprovadas através uma avaliação técnica. ''Neste caso, enviamos o material a um laboratório e, dependendo, do resultado podemos autuar a empresa responsável'', explicou. Assim que tiver fiscais à sua disposição, Silva disse que pretende fiscalizar constantemente a venda de produtos alimentícios.


