Curitiba - A fraude de adulteração eletrônica de bombas em postos de combustíveis, que foi denunciada no início do mês por um programa de TV, poderia estar ocorrendo há mais de um ano. Donos de postos de Curitiba relataram à FOLHA que o proprietário da Power Bombas, Cleber Salazar, pivô de todo o esquema irregular, chegou a procurá-los em novembro de 2010 para oferecer serviços de manutenção de bombas.
Salazar é acusado de ser o mentor da fraude que consistia na utilização de um dispositivo eletrônico remoto para controlar a vazão do combustível e, com isso, fornecer menos litros do que era apontado na bomba. A irregularidade acontecia em estabelecimentos de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Em um posto da capital paranaense, a diferença chegou a um litro e meio.
Os advogados de Salazar, Ademilson Gaspar e Paulino Gaspar, informaram que não iriam se manifestar sobre o assunto, uma vez que o inquérito corre em segredo de Justiça. O empresário suspeito de comandar o esquema de venda de placas fraudulentas para os postos de combustíveis chegou a ser preso, mas conseguiu um habeas corpus e está em liberdade. Ele é acusado de crimes de formação de quadrilha, estelionato, corrupção ativa e passiva, sonegação fiscal e contra a ordem econômica e as relações de consumo.
O gerente do Posto Cristo Rei, Sérgio José Souza, contou que Salazar teria feito uma visita a ele em novembro de 2010. ''O dono da Power Bombas perguntou quem fazia manutenção para o posto. Como eu disse que tínhamos contrato com uma empresa terceirizada da BR-Distribuidora, ele não chegou a falar em valores do serviço'', contou.

Fiscalização


Donos de postos ouvidos pela FOLHA também reclamaram que as fiscalizações do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), do Inmetro e da Agência Nacional de Petróleo (ANP) costumam ocorrer só durante os dias úteis e que, dificilmente, acontecem em sábados e domingos. ''Final de semana não tem fiscalização'', disse Souza.
''A fiscalização ocorre só durante a semana'', confirmou o gerente do Posto Estrela Guia, Fábio Augusto Santana. O gerente do AIC Auto Posto, Algeu Nunes de Oliveira, afirmou que o Ipem visita o estabelecimento cerca de três vezes por ano e a ANP apenas uma vez. ''Recebemos fiscalização só durante a semana'', reforçou.
Em nota, o Inmetro informou que intensificou as ações de fiscalização em âmbito nacional após as denúncias de fraudes no sistema de medição das bombas. Ainda segundo a nota, providências técnicas e administrativas têm sido tomadas, entre elas, a autuação de postos, interdição de bombas medidoras e comunicação ao Ministério Público.
No caso específico do Paraná, o Inmetro determinou operações intensivas de fiscalização em postos de combustíveis, com foco no tipo de fraude denunciada. O instituto informou que operações-surpresa também são realizadas nos finais de semana.
A ANP esclareceu através da assessoria de imprensa que faz ações de fiscalização nos finais de semana, sempre que necessário, em todo o Brasil. Um dos principais instrumentos para direcionamento das ações de fiscalização da agência é o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis, realizado por institutos de pesquisa contratados pela ANP para coletar e analisar amostras dos combustíveis vendidos nos postos.
O diretor técnico substituto do Ipem, Valter Julio Guimarães, disse que o instituto faz verificações surpresa nos fins de semana e feriados, mas isso não acontece todo fim de semana.
Ele informou ainda que foram realizadas fiscalizações em 21 postos de Ponta Grossa nesta semana e 212 bicos. No total, foram reprovados 19 bicos e interditado um posto. Os estabelecimentos não apresentaram problemas de lacres rompidos nem envolvimento com a Power Bombas. As irregularidades mais comuns foram erro de vazão, falta de iluminação e dígitos queimados.

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