A denúncia apresentada ontem pelo Ministério Público à Justiça Federal contra 33 ex-diretores do Banco Nacional expõe com detalhes a gigantesca fraude que, durante nove anos, transformou em lucro prejuízos da ordem de US$ 10 bilhões.
Em novembro de 1995, quando o banco sofreu intervenção do Banco Central, 75% do volume das operações de crédito vinha das contas inativas usadas para montar a fraude - conhecidas internamente pelo código 917 - e 92,87% dos empréstimos em conta corrente eram falsos.
Segundo os procuradores Rogério do Nascimento e Silvana Góes, autores da denúncia, os empréstimos fictícios registrados para essas contas chegavam a ultrapassar, em média, 1.322,69% das taxas usuais de mercado.
Os procuradores pediram a prisão preventiva do último presidente do banco, Marcos Magalhães Pinto, do ex-superintendente, Arnoldo de Oliveira, e do vice-presidente de controladoria, Clarimundo Sant’Anna. O caso está nas mãos do juiz Abel Fernandes Gomes, da 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro que, até o final da tarde de ontem, não havia decidido se aceitava a solicitação do Ministério Público. Ele tem 15 dias para analisar a denúncia. ‘‘Arnoldo, autorizado por Marcos, concebeu e confiou a Clarimundo a implementação do sistema de fraude’’, apontaram os procuradores.

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